icthus peixe

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ixore peixe

ichusteama

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A História de Icthus

Este sinal foi usado como uma forma secreta de comunicação entre os cristãos do início da Igreja dentro das catacumbas romanas. Eles entalhavam este sinal nas paredes para que se identificassem com outros cristãos. É uma palavra grega que significa "peixe" (daí o uso do desenho) e que formava um acróstico: Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador Você vê-los na parte traseira dos automóveis em todo lugar.Ocasionalmente, você vê-los usado em colares ou pulseiras. Eu mesmo vi-los como chaveiros e bonés. Mesmo os evolucionistas exibir este símbolo com o nome "Darwin" apropriadamente inscrito em cima dele. Eu mesmo vi esses símbolos misteriosos com uma pontuda, pequenas e nadadeira dorsal saliente em cima de um destes, assemelhando-se um tubarão. O "ichthus", quando exibido corretamente deve ser semelhante a qualquer uma das quatro figuras apresentadas a seguir: Exatamente o que faz o Ichthus significa? Ichthus (IKH-thoos) ou ichthys é a palavra grega que significa simplesmente "peixe". A ortografia é grego para ichthus - Iota, Chi Theta, Upsilon, e Sigma. A tradução para Inglês é IXOYE. As cinco letras gregas representam as palavras que significam "Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador". A versão grega é, "Iesous Christos, Theou Uios, Soter ". Este símbolo foi utilizado principalmente entre os cristãos da igreja primitiva anos (e segundo século 1 dC) O símbolo foi introduzido a partir de Alexandria, Egito, que, na época, era um porto muito populosas. Era o porto em que muitos bens foram trazidos do continente europeu. Devido a isso, foi utilizado pela primeira vez pelos povos do mar como um símbolo de uma divindade familiar, neste caso, Jesus Cristo. O símbolo foi usado mais tarde como um meio de identificar ou reconhecer um irmão em Cristo, sem necessidade de qualquer comunicação verbais sendo trocados. Por que isso foi necessário? Durante o reinado do imperador Nero (54 dC-68 dC), e durante todo o reinado de maldade subseqüentes imperadores do Império Romano, os cristãos eram comumente perseguidos, torturados e condenados à morte por causa de sua fé em Cristo Jesus. Imperador Nero se pessoalmente desprezava os cristãos. Ele culpou-os para o grande incêndio de 64 dC, que queimou cerca de metade de Roma. Foi durante as perseguições do Nero que ambos Pedro e Paulo são pensados para ter morrido. Espalhados por todo o império, os soldados romanos estavam estacionados em toda parte para manter a ordem e agir como polícia. Isto incluiu mantendo um olhar atento sobre os acontecimentos da vida quotidiana das pessoas. Muitas vezes, quando um soldado avistou um cristão, ele iria relatar a seus superiores que, por sua vez, ser condenada a prisão do cristão e ser levado para interrogatório. O cristão, então, ser perseguidos e torturados para que eles a retratar-se e submeter-se a muitas religiões politeístas de Roma. Na maioria dos casos a morte seria o fim final. Gregory B. Dill

Creio que só Jesus Salva

Sou um cristão fundamentalista, amo o Senhor e a Igreja,
creio na sua palavra, sou um anti-comunista. não gosto de religião, muito menos da Teologia da Libertação, da Prosperidade e dos teólogos liberais e hereges (uma redundância).

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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

O que é um Cristão.

At 26:28
O termo “cristão” será usado estritamente de acordo com o ensino do Novo Testamento. Usando o processo de eliminação vamos ver primeiro:

I. O QUE NÃO É SER CRISTÃO:
1. Tornar-se cristão não é tornar-se “religioso” ou adotar uma nova “religião”.
a) Entre os não crentes aceitar a Cristo é interpretado como “aceitar o cristianismo”.
b) Nos países chamados cristãos a conversão freqüentemente é o mesmo que tornar-se religioso.
c) Tais expressões são totalmente inadequadas e falsas. Não havia homem mais religioso sobre a terra do que Saulo de Tarso (At 22:26; Fil 3). Ele era um homem zeloso e cheio de paixão religiosa. Ser religioso está muito longe daquilo que o Novo Testamento chama ser cristão!
d) Ser um verdadeiro cristão não é aceitar um credo, declaração ou doutrina. Nem tampouco observar ritos e cerimônias, assistir cultos e se conformar a um padrão de vida!
e) De modo algum religião é Cristianismo. Quando pedimos às pessoas para se tornarem cristãs, não estamos pedindo que mudem de religião, nem que se tornem religiosas.

2. Tornar-se cristão não é unir-se a uma instituição chamada igreja.
a) Não existe tal coisa chamada “unir-se à igreja”. Não damos nenhum passo, nem em palavras, nem em atos para que nossos membros se tornem parte do nosso corpo. Não existe diferença entre os membros e o corpo. Mas, eles não se tornam membros pela organização, convite, exame, interrogação ou catecismo. Não! Só pela vida!
b) No tocante à Igreja de Cristo é a mesma coisa: tem que existir um verdadeiro relacionamento de vida. Ser membro no sentido técnico é uma coisa supérflua. Sem relacionamento não existe a Igreja de Cristo.
c) Existem multidões que são membros do que é chamado de “Igreja”, mas que não suportarão o teste do que seja realmente um cristão.
d) Quando convidamos as pessoas para tornarem-se cristãs não estamos pedindo que se unam à igreja.
e) Devemos reconhecer que o cristianismo não é mais uma instituição ou sociedade. Você pode ir a muitas chamadas “igrejas” e nunca encontrar satisfação.
f) Naturalmente isso é negativo, mas devemos reconhecer que quando nos tornamos cristãos, nós compartilhamos uma nova vida em Cristo, juntamente com todos os outros que nasceram de novo e assim nos tornamos um em Cristo!

3. Tornar-se cristão não é tornar-se parte de um novo movimento.
a) O cristianismo é num sentido um movimento: um movimento Divino do céu!
b) Mas alguns concebem o cristianismo como sendo um grande empreendimento para melhorar o mundo. Um apelo é feito para que as pessoas se unam a esta grande obra.
c) Mais cedo ou mais tarde os que se uniram a ele descobrirão que estão numa falsa posição.
d) Existe algo que deve acontecer antes do movimento: o movimento está com Deus e não conosco. O maior valor no movimento, quando chega a hora de Deus para ele, é que aprendemos a não nos mover sem Ele.
e) Não apelamos para que as pessoas se unam a um movimento, onde todas as suas forças e entusiasmo natural poderão ser usados!
f) Deus tem um propósito e você se interessa por Ele em relação àquele propósito! Mas antes devemos nos tornar “novas criaturas”!

II. O QUE É SER UM CRISTÃO
Vamos ver o que é ser um cristão utilizando um grande exemplo: Saulo de Tarso. O modo como ele foi convertido pode não ser comum ou geral, mas os princípios são sempre os mesmos. Os três princípios e realidades de uma verdadeira vida cristã são:

1. Quem És Tu? “Eu sou Jesus”!
A primeira coisa é um conhecimento interior de que Jesus é uma Pessoa viva e não apenas saber que Ele existiu.
a) Para Paulo foi uma tremenda descoberta: Jesus está vivo? Ele foi crucificado e morto; o que restava agora era apagar Sua memória e destruir aquilo que O representava.
b) Saulo dedicou-se a isso! Que surpresa não foi para ele descobrir que Jesus estava vivo! E na glória!
c) Começamos nossa vida cristã experimentando essa realidade viva. Não um Jesus da história, mas um Jesus do coração!
d) Todos devem provar isso! Temos apenas que lançar fora nossas tradições, preconceitos, dúvidas, perguntas e problemas mentais, ir diante Dele e falar com Ele, embora Ele não possa ser visto.
e) Fale com Ele com coração honesto e como se estivesse face a face com Ele. Fale com Ele como você fala com uma Pessoa.
f) O Espírito Santo está no mundo para levar as pessoas a experimentarem esta realidade! Que Jesus vive e entra no coração de todo aquele que se volta para Ele honestamente.
g) Só existe um caminho que é Jesus. Você ouviu falar de um médico e ele é o homem para o seu caso! Você diz que não existe tal pessoa? Que há evidências que ele morreu a muito tempo? Você vai até ele para dizer que não crê que ele seja médico?
h) Se você fizer isso mostrará duas coisas:
1º) Ou seu caso não é tão sério!
2º) Ou você está fugindo da sua seriedade!
i) Se seu caso é sério e você sabe disso, o mínimo que você vai fazer é ir ao médico e contar a ele sua situação e pedir para ele fazer o que pode!
j) A descoberta de que Jesus é uma realidade viva é a primeira coisa na vida cristã. Isto é um teste e um testemunho.

2. O que Queres Que Eu Faça Senhor?
Esta é a segunda coisa na vida cristã.
a) Isso representa uma nova posição e um novo relacionamento!
b) Antes disso Saulo propunha, planejava, determinava e desejava; fazia tudo para uma boa causa: para o próprio Deus!
c) Uma evidência clara de uma vida verdadeiramente aceitável a Deus: o senhorio absoluto de Cristo. Quando descobriu que Jesus vivia, Paulo exclamou: “Senhor! Que queres que eu faça?!”
d) A marca registrada da verdadeira vida cristã é a submissão a Cristo e uma vida governada por Ele como Senhor.

3. Cristo Em Vós – Col 1:27
a) Isto se torna verdade por um ato definido quando creio Nele e o Espírito Santo toma posse de nós interiormente. Isto é “nascer de novo”.
Ser cristão é:
1) Reconhecer que Jesus está vivo.
2) Entronizá-Lo como Senhor absoluto.
3) Ter Sua presença interior e poder, por meio do Espírito Santo.

III. O TESTEMUNHO DE PAULO: At 26:28 (14)
Estas palavras foram pronunciadas ao mesmo homem: como Saulo de Tarso e depois como Paulo o apóstolo. No primeiro caso (At 26.28) por um governador do Império Romano (Agripa) e depois por Jesus de Nazaré. Elas contêm a essência de uma verdadeira experiência cristã:

1) É Algo Absolutamente Pessoal:
“Ouvi uma voz Me dizendo, Saulo! Saulo!”.
a) Outros estavam com Saulo, mas a palavra foi dirigida a ele de forma pessoal. Jesus o conhecia pelo nome!
b) Deus tem um interesse pessoal conosco. Um irmão tinha o costume de evangelizar entregando apenas versículos da Bíblia. Certo dia, visitando um hospital militar, aproximou-se de um soldado que se achava todo enfaixado da cabeça aos pés. Só a boca e os olhos estavam descobertos. Uma enfermeira de longe deu a entender ao irmão que não adiantava falar com o tal soldado. Ele tentou se afastar, mas o Espírito de Deus o moveu a deixar um texto da Palavra no peito do doente. Ao se afastar ouviu o soldado dizer: “O que é isso?” Ele respondeu: “Palavras da Bíblia”. O doente pediu: “Por favor, leia para mim”. E o irmão leu: “Filho meu, dá-me o teu coração”. O doente ficou perturbado e exclamou: “Não sabia que meu nome estava na Bíblia!” O crente explicou: “Você está enganado: seu nome não está na Bíblia. Este é um texto do Livro de Provérbios”. Nessa hora o soldado moribundo pediu ao irmão que lesse a placa que mostrava o seu nome na cabeceira da cama: Myson Jack. Então o irmão entendeu. O texto da Palavra estava em inglês: “My son, give me your heart”. Observe leitor, que o sobrenome do soldado “myson” são as duas primeiras palavras do texto bíblico: “meu filho = myson”. Deus falou com aquele homem de forma pessoal e direta: “Soldado Myson (meu filho), dá-me o teu coração”. Maravilhoso, sublime, tocante!
c)Você acha isso coincidência, acidente? Aquele homem estava para entrar na eternidade e Deus o chamou pelo nome! (Gl 2:20).
d) Paulo não sabia, mas estava “dando coices contra o aguilhão” (At 26:14).
e) Saulo estava tentando desesperadamente provar a falsidade de Cristo e do cristianismo, mas, por dentro ele estava dando coices na vontade de Deus!
f) Cristo é uma realidade e mais cedo ou mais tarde teremos que recebê-Lo: (i) Como Senhor e Salvador agora; (ii) Como Juiz (Fil 2) no final da vida.

2. Cristianismo Não é Uma Religião e Sim Uma Pessoa!
a) Porque Me persegues? Veja a que ponto o zelo religioso de Saulo o levou!
b) Oh! Que tremenda é a diferença entre ser religioso e ser cristão!
c) Como é possível alguém ser apaixonadamente dedicado e devotado àquilo que crê ser de Deus, ou para Deus, e ainda estar “perseguindo” o próprio Deus ou obstruindo no número ou natureza dos pecados. Sua base de julgamento é outra: O que você fez do meu Filho?
e) Nossa rejeição não precisa ser violenta, como foi a de Saulo. Não precisamos cometer pecados grosseiros como: adultério, roubo, morte!
f) Não é necessário jogar o remédio ao chão para perecer; basta deixá-lo onde está e não tomá-lo.

Todas as questões de vida e morte, pecado e justiça, céu e inferno, tempo e eternidade, estão relacionadas não à religião, igreja ou crença, mas a um relacionamento vivo com o Filho de Deus.
a) O cristão é aquele que entrou num relacionamento vivo e encontrou resposta para todas estas perguntas e questões na Pessoa e Obra de Jesus Cristo.

Autor: T. Austin-Sparks

Os desapontamentos da vida

“Fui Eu que Fiz isto”
(1 Reis 12:24)

Os desapontamentos da vida são na realidade apenas determinações do meu amor. Tenho uma mensagem para ti hoje, meu filho. Vou segredá-la suavemente ao teu ouvido, a fim de que as nuvens anunciadoras da tempestade, quando aparecerem, sejam douradas de glória, e para que os espinhos, que porventura cerquem o teu caminho, sejam afastados. A mensagem é curta – uma simples frase, mas deixa que entre no fundo do teu coração e que seja para ti como almofada onde possas descansar a tua cabeça fatigada:

“FUI EU QUE FIZ ISSO”
* Você nunca imaginou que tudo o que te diz respeito, diz respeito a Mim Também? “Porque aquele que tocar em vós toca na menina do Meu olho” (Zc 2:8). Você é precioso para mim, e é por isso que me interesso especialmente pelo seu crescimento espiritual. Quando a tentação te assalta e o inimigo “vem como uma inundação”, quero que você saiba que “isto vem de mim”. Eu sou o Deus das circunstâncias. Você não foi colocado onde está por acaso, e sim porque este é o lugar que escolhi para você. Você não pediu para ser humilde? Saiba que o lugar onde você está é o único onde poderás aprender bem esta lição. É por intermédio de tudo quanto te rodeia e até dos que te cercam que a Minha vontade em você se cumprirá. Você tem dificuldades monetárias? Custa-te viver com o que tens? “Eu é que fiz isto”. Porque Eu possuo todas as coisas. Quero que recebas tudo, e que dependas inteiramente de Mim. As minhas riquezas são ilimitadas (Fl 4:19). Prova-me para que se não diga a teu respeito: “Contudo, não creu no Senhor seu Deus”.


* Você está passando pela noite escura da aflição? “Eu fiz isto”. Deixei-te sem qualquer auxílio humano para que ao voltares para Mim, encontres consolação eterna (2 Tess 2.16,17).

* Você está desiludido com algum amigo em quem você confiou? “Fui Eu que Fiz isto”. Permiti esse desapontamento para que você pudesse aprender que Eu, Jesus, sou o teu melhor Amigo. Eu te livro de cair, combato as tuas lutas. Anseio por ser o seu confidente.

* Alguém disse coisas falsas sobre você? Não fique preocupado; vem para mais perto de Mim, debaixo das minhas asas, longe de qualquer troca de palavras, porque “Eu farei sobressair a tua justiça como a luz e o teu juízo como o meio dia” (Salmo 37:6). Onde estão os teus planos? Você se sente esmagado e abatido? “Fui Eu que fiz isto”. Não foi você quem fez os seus planos, e depois Me pediu para abençoá-los? Eu quero fazer os teus planos. Eu quero assumir toda a responsabilidade, porque ela é pesada demais e você não poderia realizá-la sozinho (Êx 18:18).

* Você já desejou alguma vez fazer qualquer coisa de grande importância no teu trabalho por Mim? E, em vez disto foi posto de parte, talvez num leito de dor e sofrimento? “Fui Eu que fiz isto”. Não podia prender a tua atenção doutra forma, enquanto estavas tão ativo. Desejo ensinar-te algumas das Minhas lições mais profundas. Somente aqueles que aprenderam esperar pacientemente é que podem Me servir. Os Meus melhores trabalhadores são, às vezes, aqueles que estão fora do serviço ativo, pois assim eles podem aprender a manejar melhor a arma que se chama Oração.

* Foste chamado de repente a ocupar uma posição difícil, cheia de responsabilidade? Vai, conta Comigo! Dou-te esta posição, cheia de dificuldades, porque “O Senhor teu Deus, te abençoará em tudo quanto fizeres” (Dt 15:18).

* Ponho hoje nas tuas mãos o vaso de óleo santo. Tira tudo quanto quiseres meu filho, para que todas as circunstâncias que possam levantar-se diante dos teus pés, cada palavra que te magoe, qualquer coisa que prove a tua paciência, cada manifestação da tua fraqueza, sejam ungidas com este óleo santo. Não esqueça que, interrupções são instruções divinas. A dor que você sofrer será na medida em que você Me enxergar em todas as coisas. Portanto, aplica o teu coração a todas as palavras que hoje testifico entre vós, ”Porque elas são a vossa vida” (Dt 32:46,47).

Este manuscrito foi achado na Bíblia de John Nelson Darby, depois do seu falecimento.

Aionios (αιωνιος)

Vamos ler o Evangelho de Mateus capítulo 12 e o versículo 32 diz:

“E, se qualquer disser alguma palavra contra o Filho do Homem, ser-lhe-á perdoado, mas, se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste século nem no futuro”.

Nesse texto temos que fazer uma analise da palavra “mundo”. Segundo o original grego o termo aqui é Αιων. Na versão Revista Corrigida está “século”, na Revista Atualizada está “mundo”. Antes de tratar sobre a força e o uso deste adjetivo, é bom examinar brevemente este vocábulo αιων, entender sua origem. A mais antiga aplicação desse substantivo entre os escritores gregos tais como Homero, Hesíodo, Pindar, os poetas trágicos e Herodoto, é feita com referência a vida de um homem ou ao curso da vida. Na história posterior da língua denotava um largo período de tempo. Os filósofos empregavam em contra distinção de χρονος para expressar a duração, αιων de objetos eternos e imutáveis e χρονος para aqueles que são temporais e corpóreos. Por isso, αιων foi utilizado na filosofia antiga com o significado da infinita e imutável eternidade de DEUS.

Por isso, no grego helenístico, os autores da mesma época que os do Novo Testamento, esta palavra foi empregada especificamente para expressar a eternidade. Portanto, nada pode estar mais claro que o uso desse termo nos tempos antigos e na linguagem dos escritores neotestamentário para representar o que é imutável e eterno.

Agora, preste atenção, porque, quando esse termo é qualificado por palavras que modificam seu sentido, se usa nas Escrituras para o curso contínuo de um determinado sistema governado por certos princípios, como em Mateus 12.32; 13.39-40; 24.3; 28.20; há também sua aplicação num sentido mais moral do que dispensacional, como em Gálatas 1.4; Efésios 2.2.


Concluindo então, αιων pode ser empregado de maneira que expressa a continua existência de uma coisa cuja natureza não dura para sempre (como a vida humana, uma era ininterrupta ou dispensacional, ou ao curso geral deste mundo), seu sentido próprio, tomado por si mesmo, é expressar a eternidade. E o mesmo é certo de αιωνιος, que se usa em certos contextos especiais, como em Romanos 16.25; 2 Timóteo 1.9 e Tito 1.2 onde χρονοι modifica sua força e lhe dá um sentido relativo mais absoluto; mas seu significado natural, a menos que seja positivamente restringido, é o eterno em contraste com o temporal.

Fonte – Anotações cristãs - William Kelly, vol. II, pág. 173


Tradução – Luiz Fontes

Depressão Espiritual - Capítulo 3

3 - Vejo os homens como árvores que andam


"E chegou a Betsaida; e trouxeram-lhe um cego, e rogaram-lhe que lhe tocasse. E, tomando o cego pela mão, levou-o para fora da aldeia; e, cuspindo-lhe nos olhos, e impondo-lhe as mãos, perguntou-lhe se via alguma coisa. E, levantando ele os olhos, disse: Vejo os homens; pois os vejo como árvores que andam. Depois tornou a pôr-lhe as mãos nos olhos, e ele, olhando firmemente, ficou restabelecido, e já via ao longe e distintamente a todos. E mandou-o para sua casa, dizendo: Não entres na aldeia". Marcos 8:22-26

Quero chamar sua atenção para este incidente, como parte de nossas considerações sobre o tema que estamos examinando e que denominei "depressão espiritual".

Estamos considerando este assunto, não somente porque é um fato triste e trágico que um cristão possa se sentir deprimido e miserável, mas também por causa da situação geral da Igreja atualmente. Não hesito em afirmar, novamente, que uma das razões por que a Igreja Cristã exerce tão pouca influência no mundo moderno, é que tantos cristãos estão nesta condição. Se todos os cristãos começassem a agir e a viver conforme o Novo Testamento ensina, a Igreja não enfrentaria problemas para evangelizar. A questão se resolveria por si mesma. É porque estamos falhando como cristãos em nossa vida diária, comportamento e testemunho, que a Igreja exerce tão pouca influência e tão poucos são atraídos a Deus através do Senhor Jesus Cristo. Portanto, por esse motivo tão premente, é imprescindível que tratemos desta questão.

Já fizemos uma análise geral do problema, e no capítulo ante­rior consideramos um aspecto específico dele. Vimos que há alguns cristãos nesta condição porque nunca realmente entenderam com clareza a grande doutrina básica da justificação pela fé. Na ver­dade, essa foi a causa de todo o problema antes da Reforma protestante. A Reforma trouxe paz, felicidade e alegria à vida da Igreja, de uma forma que ela não tinha conhecido desde os pri­meiros séculos, e tudo aconteceu porque a doutrina básica da justificação pela fé foi redescoberta. Ela fez Martinho Lutero se regozijar e cantar, e ele por sua vez foi usado para levar outros a discernir esta grande verdade. Ela produziu essa grande alegria na Igreja; e, se por um lado hesitamos em declarar que aqueles que não entenderam esta questão com clareza não sejam cristãos, por outro lado, é um fato que no momento que a enten­dem, imediatamente deixam de ser cristãos miseráveis e se tornam cristãos radiantes.

Vamos passar agora para o passo seguinte, e quero conside­rá-lo à luz deste extraordinário incidente na vida e no ministério do nosso bendito Senhor, registrado em Marcos 8:22-26. Obser­varão imediatamente que estamos tratando de um caso completa­mente diferente; e este quadro ilustra isso de forma bastante clara. Em vários aspectos é o mais extraordinário de todos os milagres realizados por nosso Senhor e Salvador. Lembram-se dos detalhes do que Ele fez por esse homem cego? Ele o tomou pela mão, levou-o para fora da aldeia, cuspiu nos seus olhos, impôs as mãos sobre ele, e então perguntou ao homem se podia ver alguma coisa. O homem disse: "Sim, vejo. Vejo os homens como árvores andando". Então o Senhor pôs as mãos novamente sobre os olhos do homem e desta vez a sua vista foi restaurada, e ele "viu distintamente".

Isto, obviamente, é algo de significação muito profunda. O que aconteceu neste caso não foi acidental. Temos outros exemplos em que o Senhor curou pessoas cegas, e é evidente que Ele poderia ter curado este homem instantaneamente, dizendo apenas: "Recebe a vista". Nosso Senhor tinha esse poder; nada era impossível para Ele. Já tinha feito isso antes, e podia fazê-lo novamente. Então, o que Ele fez aqui foi feito deliberadamente e com um propósito. Nada que o Senhor Jesus fez foi feito a esmo ou acidentalmente. Todas as Suas ações eram deliberadas e quando Ele mudava Seu método, sempre tinha uma razão muito boa para fazer isso. Não havia nada particularmente difícil neste caso; a variação no trata­mento não era causada por isso. Era devida ao plano determinado pelo próprio Senhor, de operar o milagre desta forma a fim de ensinar uma lição e comunicar uma certa mensagem. Em outras palavras, todos os milagres do Senhor foram mais do que simples eventos — de certa forma, eles também foram parábolas. Isso não quer dizer que não cremos nos incidentes em si como sendo fatos reais na história. Estou simplesmente declarando que um milagre é também uma parábola, e se isso é verdade a respeito de todos os milagres, é especialmente verdade a respeito deste aqui. De fato, pois o Senhor obviamente mudou o método aqui a fim de ensinar uma lição vital e importante.

Eu concordo com aqueles que sugerem que talvez a lição principal aqui tivesse em vista particularmente os discípulos. Lem­bram-se do que aconteceu antes? Eles se esqueceram de levar pão no barco, e por isso tinham apenas um consigo. Começaram então a se preocupar com isso, e ficaram perturbados. Nosso Senhor ao falar com eles no barco, disse: "Guardai-vos do fermento dos fariseus e do fermento de Herodes"; e eles arrazoavam entre si, dizendo: É porque não temos pão". Visto que Ele mencionou a palavra "fermento", pensaram que ele estava falando de pão! Eram literalistas, faltava-lhes entendimento espiritual, e por isso a pala­vra "fermento" fez com que pensassem apenas em pão e no fato de terem se esquecido de levar um suprimento. Por essa razão estavam perturbados e apreensivos, e o Senhor lhes fez uma série de perguntas penetrantes, terminando com esta: "Não compreen­destes ainda?" É como se dissesse: "Aqui estou eu, pregando a vocês e lhes ensinando, e parece que ainda não entendem. Estão perturbados porque têm somente um pão, e no entanto testemu­nharam dois milagres, os quais provam que com apenas alguns pães e peixes eu posso alimentar milhares de pessoas; como é que ainda não entendem?" Eu creio que Ele tratou do homem cego daquela maneira a fim de lhes dar uma imagem deles mesmos. Ele adorou esta técnica registrada aqui, para que os discípulos pudessem se ver a si mesmos, como realmente eram.

Mas há um sentido mais profundo aqui; é uma lição perma­nente para o povo de Deus. É uma mensagem terrível. Estou ansioso para chamar sua atenção para isso porque há muitas pessoas que são como este homem, e há muitas pessoas que parecem ainda estar no primeiro estágio que este homem atravessou, no processo de ser curado. Nosso Senhor cuspiu nos seus olhos e perguntou: "Pode ver alguma coisa?" E ele respondeu: "Vejo os homens, como árvores andando". Entendem a sua situação? É difícil des­crever este homem. Não podemos mais dizer que ele é cego. Não podemos dizer que ainda é cego, porque pode ver; mas hesitamos em dizer que ele pode ver, porque vê os homens como árvores andando. Então — ele é cego, ou não é? Quase sentimos que a única coisa que se pode dizer, é que ele ao mesmo tempo é cego, e não é. Ele não é uma coisa nem outra.

Ora, essa é precisamente a condição que estou ansioso por abordar aqui. Eu me preocupo com aqueles cristãos que se sentem inquietos e infelizes e miseráveis por causa desta falta de clareza. É quase impossível defini-los. Vocês às vezes falam com uma pessoa assim, e pensam: "Este homem é um cristão". E então o encontram novamente, e ficam em dúvida, e pensam: "Certamente ele não pode ser cristão, se fala dessa maneira ou age dessa forma". Cada vez que se encontram com esse homem, a impressão que têm dele é diferente; e nunca têm certeza se ele realmente é um cristão ou não. Vocês não se satisfazem em dizer que ele vê, ou que não vê. Além disso, o problema é que não só os outros pensam isso a respeito de pessoas desse tipo, mas muitas vezes elas sentem isso a respeito de si mesmas. Eu digo isso a favor delas, pois se sentem infelizes porque não têm certeza a respeito da sua própria situação. Às vezes, depois de assistir a um culto, elas dizem: "Sim, eu sou um cristão; eu creio nisso". Então alguma coisa acontece, e passam a pensar: "Não posso ser um cristão. Se eu fosse cristão, não teria tais pensamentos, ou não sentiria o desejo de fazer as coisas que faço". Por isso sentem-se tão perplexas a respeito de si mesmas, como os outros cristãos que as observam. Ora sentem que são cristãos, ora sentem que não são. Parecem saber o suficiente a respeito do cristianismo para não sentirem prazer nas coisas do mundo; mas não sabem o bastante para se sentirem felizes consigo mesmos. Não são "nem quentes, nem frios". Eles vêem, e ao mesmo tempo não vêem. E acho que concordarão comigo que estou descrevendo a situação de um grande número de pessoas. É uma situação dolorosa, e minha mensagem, como podem imaginar, é que ninguém deve viver nessa situação, nem deve permanecer nela.

Vamos seguir o ensino do nosso Senhor. A melhor maneira de fazer isso é colocar o caso dessas pessoas numa forma diferente. Tenho falado até aqui de modo geral. Quero agora entrar em alguns aspectos específicos para ajudar essas pessoas a se verem a si mesmas, e também para ajudar a todos nós a discernir esta condição. O que é que essas pessoas podem ver? Elas vêem algu­ma coisa. Este homem disse: "Sim, eu vejo, vejo homens, mas alguma coisa está errada, porque os vejo como árvores andando".

O que essas pessoas vêem? Muitas vezes elas sabem que alguma coisa está errada. Sentem-se infelizes consigo mesmas. Alguma coisa aconteceu com elas que lhes deu um sentimento de insatisfação a respeito de si mesmas. Houve uma época em que se sentiam perfeitamente felizes com as coisas como eram. Levavam a sua vida como queriam, e pensavam que não havia nada de errado com isso. Mas não são mais assim. Alguma coisa lhes aconteceu, que lhes deu uma percepção completamente dife­rente do tipo de vida que estava vivendo. Não preciso entrar em detalhes; basta que pensem em pessoas que estão vivendo este tipo de vida, pessoas que devoram mexericos de jornal, e conside­ram maravilhosa e invejável a vida da alta sociedade, e sentem que "aquilo, sim, é que é vida". Mas estas pessoas não são mais assim. Começaram a perceber o vazio, a inutilidade, a completa falsidade daquilo tudo, e sentem-se profundamente insatisfeitas com esse tipo de vida. Percebem que, mesmo à parte de tudo o mais, não é uma escolha inteligente, que é um tipo de vida completamente vazia. Tornam-se infelizes com sua situação, dizen­do que não podem continuar assim. Há muitas pessoas nessa situa­ção, e muitas delas passam por esse estágio. É um estágio em que o homem vê que tudo o mais está errado, embora ainda não tenha visto que o cristianismo está certo. E isso muitas vezes o leva ao cinismo, e até mesmo ao desespero.

Tenho visto muitos exemplos dramáticos disso. Lembro muito bem o caso de um homem que era um cirurgião extraordinário em Londres, de muita proeminência. Subitamente, para assombro de lodos que o conheciam, ele anunciou que tinha desistido de tudo c se tornara um médico de navio. O que aconteceu com esse homem foi o seguinte: ele era muito famoso em sua profissão, e tinha ambições perfeitamente legítimas com respeito a certas honras cm sua profissão. Mas desapontamentos a esse respeito de repente lhe abriram os olhos para toda a situação, e ele concluiu que não havia satisfação duradoura na vida que estava levando. Ele perce­beu tudo isso, mas não se voltou para Cristo. Simplesmente tornou-se cínico, e deixou tudo. E tem havido outros exemplos notáveis de homens que abriram mão de tudo e foram para algum lugar isolado onde encontraram uma certa medida de paz e felicidade, sem se tornarem cristãos. Essa é uma possibilidade.

Mas eles podem até mesmo ir além, e perceber as qualidades superiores da vida cristã, como estão expressas no Sermão do Monte. Dizem: "Não há dúvida que a vida cristã é única vida real; se tão somente todos vivessem assim!" Talvez tenham lido as biografias dos santos e reconhecido que esses homens tinham algo maravilhoso em suas vidas. Houve um tempo em que não tinham qualquer interesse nisso, mas agora passaram a compreen­der que a vida descrita no Sermão do Monte é a única que vale a pena viver; e também, lendo I Coríntios, capítulo 13, dizem: "Se apenas todos vivêssemos assim, este mundo seria um paraíso". Eles passaram a perceber isso com muita clareza.

E podem até mesmo ter ido mais além, concordando que Jesus Cristo é a única esperança, que Ele é, de algum modo, o Salvador. Notem como expressei isto: que Jesus Cristo é, "de algum modo", o Salvador. Chegaram a ver que Ele poderia aju­dá-los, e que o cristianismo é a única esperança para o mundo, e de algum modo percebem e sabem que essa Pessoa — Jesus — pode ajudá-los. Houve um tempo em que não estavam interessados, quando O puseram de lado, sem qualquer consideração mais séria; mas isso mudou. Compreendendo o vazio deste mundo, e vendo o tipo de vida vivida por certos cristãos, e sabendo que Jesus Cristo é a razão dessa diferença, percebem que de algum modo Ele deve ser o Salvador. Por isso estão interessados nEle, e querem saber mais a Seu respeito. Até aí eles vêem claramente.

Podemos dizer ainda mais sobre eles, isto é, ao contrário das pessoas de que falamos no capítulo anterior, estes indivíduos perceberam que não podem salvar a si mesmos. O problema do homem que não tem uma compreensão clara da justificação pela fé é que ele ainda está tentando se justificar; mas estes indivíduos sabem que não podem fazer isso. Tentaram muitas vezes, e estão insatisfeitos; e, vendo a verdadeira natureza da qualidade de vida cristã, compreendem que o homem não pode alcançar esse ideal. Compreendem que não podem salvar a si mesmos.

"Certamente", alguém dirá, "você foi longe demais, você lhes dá crédito demais!" Não! Eu estou simplesmente descrevendo o que essas pessoas podem ver, da mesma forma que aquele homem cego, quando Jesus lhe perguntou: "Podes ver?" respondeu: "Sim". Ele certamente podia ver, podia ver homens. E essas pessoas che­garam a ver alguma coisa, talvez até mesmo chegaram a ver todas estas coisas que estou descrevendo aqui.

Todavia, preciso dizer também que ainda estão confusas, que ainda não podem ver com clareza. Podem apenas ver homens "como árvores andando". Em que aspecto isto é verdade sobre elas? O problema aqui é saber o que deixar de fora; mas eu vou tentar selecionar o que considero as três coisas mais impor­tantes.

A primeira coisa é que essas pessoas não têm uma compreen­são clara de certos princípios. É por isso que tomei o cuidado de dizer que compreenderam que Cristo é "de algum modo" o Salvador. Mas elas não compreendem de que forma Ele é o Sal­vador. Não têm uma compreensão clara, por exemplo, da morte de Cristo, e sua absoluta necessidade. Não têm certeza sobre a doutrina do novo nascimento. Se falarmos com elas a respeito destas coisas, vamos descobrir que estão cheias de confusão e perplexidade. Essas pessoas dizem que não vêem, e estão certas! Elas não vêem, elas não entendem por que Cristo teve que morrer, e não vêem a necessidade do novo nascimento. Já temos visto esse tipo de gente; pessoas que estão descontentes com sua vida, e louvam a vida cristã; estão sempre prontas a falar sobre Cristo como Salvador, mas ainda "não podem ver" certas verdades. O resultado é que se sentem perturbadas, infelizes e miseráveis.

A segunda coisa que não vêem claramente é que seu coração não é totalmente envolvido. Ainda que possam ver muitas coisas, sua felicidade realmente não está no cristianismo nem na posição cristã. Por alguma razão, não encontram alegria verdadeira na fé cristã. Precisam constantemente trazer isso à memória, e às vezes tentam forçar essa atitude em si mesmos. Não são felizes; sua alegria — se é que têm alguma — ainda parece provir de outras fontes. Seu coração não é completamente envolvido. E eu men­ciono estas coisas aqui porque espero poder tratar delas detalha­damente mais adiante. No momento estou dando uma visão resu­mida da condição geral.

A terceira coisa a respeito das pessoas que estamos discutindo, c que sua vontade está dividida. São rebeldes, e não conseguem entender por que é que um homem, só porque se declara cristão, (em que fazer certas coisas e deixar de fazer outras. Acham que isso é ser tacanho. Por outro lado, condenam sua vida passada e aceitam a vida cristã de forma geral. Reconhecem Cristo como Salvador; todavia, quando se trata de aplicar Seus ensinos, ficam confusas e não conseguem discernir a questão com clareza. Estão sempre argumentando, sempre perguntando se é certo fazer isto ou aquilo. Há uma ausência de tranquilidade na esfera da vontade. Não estou apresentando uma caricatura dessas pessoas. Estou ciando uma descrição muito literal, exata e detalhada delas. Muitos de nós passamos por este estágio, e sabemos disso por experiência própria; e, como o Senhor adotou este método no caso do homem cego, Ele parece fazer coisa similar na conversão. Há pessoas que vêem as coisas claramente de uma vez; mas há outras que passam por estágios. Estamos tratando aqui daquelas que atravessam este estágio específico, e é assim que eu descreveria sua condição.

Quero aqui passar para o ponto seguinte. Por que, quando o Senhor Jesus estava ensinando, Ele apresentou aquela série de perguntas aos discípulos, e então demonstrou tudo desta forma dramática, através deste incidente? Ou, para expressá-lo de uma forma diferente, quais são as causas desta condição? Por que deveria alguém passar por esta situação indefinida, cristão e não cristão, como se fosse "sim e não" ao mesmo tempo? Não há dúvida que às vezes a responsabilidade é inteiramente do evange­lista usado para despertá-los. Os evangelistas muitas vezes são a causa do problema. Na sua ansiedade de ver resultados, muitas vezes causam este problema.

Mas nem sempre é culpa do evangelista; com frequência a culpa é da própria pessoa, e vou mencionar algumas das maio­res razões por que "acaba nesta situação. Primeiro, em geral essas pessoas protestam contra definições muito precisas e limitadas. Elas não gostam de nada que seja muito claro e absoluto. Não precisamos entrar nas razões específicas disso. Eu acho que elas se opõem à clareza de pensamento e definição por causa de suas exigências. O tipo mais confortável de religião é sempre uma reli­gião vaga, nebulosa e incerta, cheia de fórmulas e rituais. Não me surpreende que o catolicismo romano atraia certas pessoas. Quanto mais vaga e indefinida a sua religião, mais confortável ela será. Não há coisa mais incômoda do que verdades bíblicas que exigem decisões. Por isso, essas pessoas dizem: "Você está sendo muito rígido, está sendo muito legalista. Não, não, eu não gosto disso. Eu creio no cristianismo, mas você está sendo muito rígido e tacanho em seus princípios. Vocês conhecem esse tipo de pessoa. Mas, se começarem com a teoria que o cristianismo não é definido, não se surpreendam se acabarem como este homem, vendo "homens, como árvores andando". Se começarem sua vida e experiência cristã dizendo que não querem uma perspectiva exata ou uma definição precisa para sua fé, vocês provavelmente não a terão! A segunda causa, e muitas vezes o grande problema com essas pessoas, é que elas nunca aceitam completamente os ensinos e a autoridade das Escrituras. Suponho que, em última análise, esta é a grande causa do problema. Elas não se submetem totalmente à autoridade da Bíblia. Se tão somente nos aproximássemos dela como crianças, com uma aceitação sem reservas, permitindo que a Bíblia fale conosco, este problema não existiria. Essas pessoas não fazem isso ;elas misturam suas próprias idéias com verdades espirituais. Naturalmente, elas afirmam que se baseiam nas Escri­turas, porém — e esta é a palavra fatal — imediatamente passam a modificá-las. Aceitam certas idéias bíblicas, mas há outras idéias e filosofias, remanescentes de seu velho estilo de vida, que dese­jam conservar consigo. Misturam idéias naturais com idéias espiri­tuais. Dizem gostar do Sermão do Monte e de I Coríntios 13; declaram crer em Cristo como Salvador, mas argumentam que não devemos ser muito extremistas nestas questões, que devemos ser moderados. Então começam a modificar as Escrituras. Recusam-se a aceitar sua autoridade em todos os aspectos — na pregação e na vida, na doutrina e na sua visão do mundo. "As circunstâncias mudaram", dizem; "e a vida não é mais o que costumava ser. Estamos vivendo no século vinte!" E mudam a Bíblia aqui e ali, adaptando-a às suas próprias idéias, em vez de aceitarem a doutrina das Escrituras do começo ao fim, reconhecendo a irrelevância dessa conversa sobre o século vinte. A Bíblia é a Palavra de Deus, ela é eterna, e porque ela é a Palavra de Deus, devemos nos submeter a ela, e confiar que o Senhor use Seus próprios métodos à Sua própria maneira.

Uma outra causa deste problema é que quase invariavel­mente suas vítimas não estão interessadas em doutrina.. Vocês estão interessados em doutrina? Às vezes essas pessoas são tolas ao ponto de contrastar o que consideram "leitura espiritual das Escrituras" com doutrina. Dizem que não estão interessadas em doutrina, que gostam de exposição bíblica mas não de doutrina. Declaram crer nas doutrinas que estão expostas na Bíblia, e que provém da Bíblia, porém (é incrível, mas é verdade) elas estabelecem este contraste fatal entre exposição bíblica e dou­trina. No entanto, qual é o propósito da Bíblia, senão de apre­sentar doutrina? Qual é o valor da exposição bíblica, se ela não nos levar à verdade? Mas não é difícil entender sua posição. É a doutrina que fere, é a doutrina que define as coisas. É uma coisa apreciar as histórias e se interessar por palavras e nuanças de sentido. Isso não perturba, não focaliza a atenção no pe­cado, nem exige uma decisão. Podemos relaxar e apreciar isso; contudo a doutrina fala conosco e exige uma decisão. Doutrina é verdade, e ela nos examina e nos prova e nos força a uma auto-análise. Então, se começamos com objeções à doutrina como tal, não é de surpreender que não vejamos com clareza! O propósito de todos os credos elaborados pela Igreja Cristã, bem como todas as confissões de fé e doutrina, ou dogmas, foi de capacitar as pessoas a verem com clareza. Foi por isso que foram formulados. Nos primeiros séculos do cristianismo o evangelho foi pregado de geração a geração. Mas algumas pessoas começaram a ensinar coisas erradas. Por exemplo, alguns começaram a dizer que Cristo realmente não veio em forma humana, e sim que era uma aparição espiritual. Uma variedade de idéias começou a sur­gir, levando muitos à confusão e perplexidade. Por isso, a Igreja começou a formular suas doutrinas na forma do Credo dos Após­tolos e outros. Vocês acham que os país da Igreja fizeram essas coisas simples porque gostava de fazê-las? Não. Eles tinham em vista um propósito muito mais prático. A verdade deve ser definida e preservada, para que as pessoas não andem em erros. Então, se temos objeções à doutrina, não é da admirar que não vemos as coisas com clareza, ou que nos sentimos infelizes e miseráveis. Não há nada que ajude tanto um homem a ter clareza em sua visão espiritual, como uma compreensão das doutrinas da Bíblia.

A última explicação desta condição que eu mencionarei aqui é o fato que muitas pessoas não captam as doutrinas das Escrituras em sua ordem correta. Este é um ponto importante, e espero poder me aprofundar nele mais adiante. Mas sei disso por experiência pessoal. É importante que tomemos as doutrinas das Escrituras em sua ordem certa. Se tomarmos a doutrina da regeneração antes da doutrina da expiação, teremos problemas. Se estamos interessados no novo nascimento e em termos uma nova vida, antes que tenha­mos uma visão clara de nossa posição diante de Deus, cairemos em erro, e eventualmente nos sentiremos miseráveis. O mesmo se aplica se tomarmos santificação antes da justificação. As doutrinas devem ser tomadas na ordem certa. Em outras palavras, podemos resumir isso tudo, dizendo que a grande causa do problema que estamos considerando é uma recusa em persistir e examinar as coisas até o fim. É o perigo fatal de querer aproveitar algo antes de realmente captá-lo e tomar posse dele. Homens e mulheres que se recusam a. perscrutar as coisas, que não querem aprender nem querem ser ensinados, por várias razões — às vezes em auto-defesa — em geral são as pessoas que se tornam vítimas desta confusão espiritual, esta falta de clareza, este problema de ver e não ver ao mesmo tempo.

Isso nos traz à última pergunta. Qual é a cura deste problema? Por enquanto vou dar princípios, apenas. O primeiro é evidente: acima de tudo evitem declarar prematuramente que sua cegueira foi curada. O homem do nosso texto deve ter sido tentado a fazer isso. Ele tinha sido cego. O Senhor cuspiu em seus olhos e disse: "Podes ver?" O homem respondeu: "Posso". Como ele devia ter se sentido tentado a sair correndo e anunciando a todo mundo: "Posso ver!" De certa forma, ele podia ver, mas sua visão era incompleta e imperfeita, e era vital que não desse testemunho antes de ver claramente. É uma grande tentação, e eu posso entendê-la, mas fazer isso é fatal. Muitos estão fazendo tal coisa atualmente (e são incentivados e encorajados a fazer isso), proclamando que vêem, quando é tão claro para os outros que eles não vêem claramente, e realmente ainda estão muito confusos. E acabam preju­dicando muita gente. Descrevem homens a outros "como árvores andando", e acabam confundindo outras pessoas!

A segunda coisa é o oposto da primeira. A tentação do pri­meiro é correr e proclamar que pode ver, antes de poder enxergar claramente; mas a tentação do segundo é se sentir totalmente sem esperança, e dizer: "Não adianta continuar. Puseste cuspe nos meus olhos, e me tocaste. De certa forma eu vejo, mas vejo homens como se fossem árvores andando". Pessoas assim muitas vezes vêm falar comigo, dizendo que não conseguem ver a verdade com clareza. Em sua confusão ficam desesperadas e perguntam: "Por que não posso ver? Isso tudo não adianta". Param de ler suas Bíblias, param de orar. O diabo já desencorajou muitos com suas mentiras. Não dêem atenção a ele!

Qual, então, é a cura? Qual é o caminho certo? É ser sincero, e -responder a pergunta do Senhor com honestidade e franqueza. Este é o segredo da questão. Jesus Se voltou para o homem, di­zendo: "Podes ver?" E o homem disse, com absoluta franqueza: "Eu vejo, mas vejo homens como se fossem árvores andando". O que salvou este homem foi sua honestidade. A pergunta, então, é: qual é nossa posição? O propósito deste sermão é justamente tratar desta pergunta: qual é nossa posição? O que vemos, real­mente? Vemos as coisas com clareza? Somos felizes? Vemos real­mente? Ou vemos, ou não vemos — e precisamos saber exatamente qual é nossa posição. Conhecemos a Deus? Conhecemos Jesus Cristo? Não somente como nosso Salvador, mas será que O conhe­cemos realmente? Estamos nos regozijando com "alegria indizível e cheia de glória"? Esse é o cristão do Novo Testamento. Podemos ver? Vamos ser francos; vamos enfrentar a questão, e vamos fazê-lo com absoluta honestidade.

E depois? Bem, o último passo é submeter-se a Ele, submeter-se a Ele tão completamente como este homem fez. Ele não fez objeções ao tratamento suplementar, mas regozijou-se com o mesmo, e creio que se o Senhor não tivesse dado aquele passo adicional, o homem teria Lhe pedido que o fizesse. E você, meu amigo, pode fazer o mesmo. Venha à Palavra de Deus. Pare de fazer perguntas. Comece com as promessas, em sua ordem certa. Diga: "Quero a verdade, não importa o preço". Ligue-se a ela, submeta-se a ela, submeta-se totalmente como uma criança e implore que Ele lhe dê visão clara, visão perfeita, e que o faça, uma pessoa completa. E ao fazer isso, é meu privilégio lembrar você que Ele pode fazê-lo.

Sim, e mais, eu lhe prometo, em Seu bendito nome, que Ele vai fazê-lo. Ele nunca deixa nada incompleto. Esse é o ensino. Ouça-o. Este homem foi curado e restaurado, e passou a ver tudo distinta­mente. A posição cristã é uma posição clara. Não fomos destinados a permanecer numa situação de dúvida e apreensão, de incerteza e infelicidade. Você acha que o Filho de Deus veio do céu, viveu entre nós e fez tudo que a Bíblia registra, morreu numa cruz e foi sepultado e ressuscitou; que Ele subiu aos céus e enviou o Espírito Santo, para nos deixar num estado de confusão? É impossível! Ele veio para que pudéssemos ver com clareza, para que pudés­semos conhecer a Deus. Ele veio para nos dar vida eterna, "e a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus ver­dadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste". Se você se sente infeliz a respeito de si mesmo, como resultado deste exame, busque ao Senhor, busque a Sua Palavra, espere nEle, suplique a Ele, apoie-se nEle, ore a Ele com as palavras do hino:

Santo Espírito, luz divina,

Ilumina a minha alma;

Palavra de Deus, luz interior,

Desperta meu espírito, abre meus olhos.

Ele Se comprometeu a fazê-lo, e Ele o fará, e você não mais será um cristão incerto, vendo e não vendo; mas será capaz de dizer: "Eu vejo; vejo nEle tudo que necessito, e mais, e sei que pertenço a Ele".


Martyn Lloyd-Jones

Depressão Espiritual - Capítulo 2

2 - O Verdadeiro Fundamento


"Concluímos pois que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei." Romanos 3:28

Quero examinar esta declaração à luz do texto básico do capítulo anterior.

Não há dúvida que o problema conhecido como depressão espiritual é bastante comum. De fato, quanto mais o estudamos e falamos sobre ele, mais descobrimos como ele é comum. Estamos estudando este problema, como eu já mencionei, por duas razões principais. Primeira, é desolador que alguém tenha que permane­cer em tal condição. Mas a segunda razão é ainda mais importante e séria; é que tais pessoas são péssimas representantes da fé cristã. Ao enfrentarmos o mundo moderno, com todas as suas perturba­ções e turbulências, com suas dificuldades e tristezas, nós, que nos dizemos cristãos e professamos o nome de Cristo, devemos representar nossa fé diante dos outros de tal maneira que eles digam: “Aí está a solução. Aí está a resposta". Num mundo em que tudo perdeu o rumo, devemos nos sobressair como homens e mulheres caracterizados por uma alegria e segurança interior inabaláveis, apesar das circunstâncias e adversidades. Creio que concordarão comigo quando digo que este é um quadro que tanto o Velho como o Novo Testamento apresentam do povo de Deus. Esses homens de Deus se sobressaíram porque, quaisquer que fos­sem as circunstâncias e condições, eles pareciam possuir um segre­do que os capacitava a viver em triunfo, sendo mais que vence­dores. Portanto, é imprescindível que examinemos o problema da depressão espiritual muito de perto.

Já analisamos o problema em geral, bem como algumas de suas causas principais. Vimos que a essência do tratamento, de acordo com o salmista, é que devemos nos enfrentar a nós mesmos.

Em outras palavras, devemos falar com nosso "eu" interior, em vez de permitir que ele fale conosco. Devemos assumir o controle de nós mesmos, falando com a nossa alma, como o salmista fez, perguntando: "Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas dentro de mim?" "Você não tem o direito de se sentir assim. Por que está tão desanimada e abatida?" Ele se enfrenta e fala consigo mesmo, discute consigo mesmo e se coloca nova­mente numa posição de fé. Ele se exorta a ter fé em Deus, e então está em condições de orar a Deus.

Quero examinar este método defendido pelo salmista. O prin­cípio vital é que devemos nos enfrentar e examinar a nós mesmos, e se estamos entre aqueles que parecem nunca conhecer a alegria da salvação e o gozo do Senhor, precisamos descobrir a causa. As causas podem ser muitas, e em minha opinião, a essência da sabedoria nesta questão é tratar dessas causas, uma por uma, e examiná-las em detalhe. Não devemos tomar nada por certo. Na verdade, creio que poderia ser facilmente constatado que a maior causa de problemas nesta área, é a tendência fatal de tomar certas coisas como garantidas. Quanto mais eu falo com as pessoas sobre isso, mais vejo que é este o caso. Há tantas pessoas que parecem nunca chegar a uma posição firme sobre a fé cristã, porque não chegam a uma definição clara em sua mente quanto a certos pontos primários, certas coisas fundamentais que deviam ser trata­das no princípio.

Embora correndo o risco de ser mal compreendido, vou apre­sentar isto assim: o problema específico do qual estamos tratando tem a tendência de ser mais comum entre aqueles que foram criados e educados de maneira religiosa, do que entre os que não foram criados e educados dessa maneira. Parece afetar mais aqueles que foram criados em lares de famílias cristãs, e que sempre foram levados a lugares de adoração, do que aqueles que não foram. Há muitos que parecem atravessar a vida da forma que Shakespeare descreveu como "presos em superficialidade e miséria". Parece que nunca saem disso. Estão envolvidos na igreja, e muito interessados em assuntos cristãos; todavia, se os compararmos com a descrição que o Novo Testamento faz da "nova criatura em Cristo", veremos imediatamente uma grande diferença. De fato, eles mesmos vêem isso, e muitas vezes é a causa principal da sua depressão e infeli­cidade. Eles vêem outros cristãos se regozijando, e dizem: "Bem, não posso dizer que sou assim. Essa pessoa tem algo que eu não tenho" — e dariam tudo para obter o que a outra pessoa tem.

Eles lêem biografias de santos que enriqueceram a vida da Igreja Cristã, e admitem logo que não são assim. Sabem que nunca foram assim, e que essas pessoas obviamente usufruíam de algo que eles mesmos nunca tiveram.

Há um grande número de pessoas nessa situação infeliz. Para elas a vida cristã parece ser um constante problema, e estão sem­pre fazendo a mesma pergunta: "Por que não posso chegar a esse nível? Por que não posso ser assim?" Lêem livros que oferecem princípios da vida cristã, vão a reuniões e conferências, sempre em busca desse algo que não conseguem encontrar. E ficam desa­nimadas, sua alma fica abatida e inquieta dentro delas.

Ao tratar com tais pessoas, é de importância vital certificar-se que os princípios básicos e fundamentais da fé cristã estão claros em suas mentes. Vezes sem conta, eu descobri que o verda­deiro problema delas estava nisso. Não digo que não fossem cristãs, mas eu diria que são entre os que chamo de "cristãos miserá­veis" — simplesmente porque não entenderam o caminho da sal­vação, e por isso todos os seus esforços em geral resultaram em nada. Muitas vezes se concentram no assunto da santificação, mas isto não os ajuda, porque não entenderam a justificação. Supondo que estão no caminho certo, acham que tudo que precisam fazer é continuar nele.

É um ponto interessante para investigação teológica, se tais pessoas são cristãs ou não. Eu, pessoalmente, diria que são. John Wesley é um exemplo clássico. Eu hesitaria em afirmar que John Wesley não era cristão antes de 1738; mas tenho certeza que ele não havia entendido o caminho da salvação como sendo somente através da justificação pela fé, até 1738. Em certo sen­tido ,ele concordara com todos os ensinos da Bíblia, mas sem captá-los ou compreendê-los plenamente. Não tenho dúvida nenhu­ma que, se o tivesse interrogado, ele teria dado todas as respostas corretas, até mesmo sobre a morte do Senhor Jesus; no entanto, em sua experiência ele não tinha uma compreensão clara da justi­ficação pela fé. Foi somente depois de seu encontro com os irmãos morávios, e especialmente após uma conversa com um deles, cha­mado Peter Bohler, numa viagem de Londres a Oxford, que ele verdadeiramente compreendeu essa doutrina vital. Ali estava um homem que tinha tentado encontrar felicidade em sua vida cristã através do que fazia — pregando aos prisioneiros em Oxford, renunciando à cátedra que ocupava na universidade, e enfrentando os perigos de uma viagem através do Atlântico para pregar aos pagãos da América. Estava tentando alcançar a felicidade seguindo um certo padrão de vida. Contudo o seu problema todo residia no fato que John Wesley nunca tinha realmente compreendido a dou­trina da justificação pela fé. Ele não tinha entendido o versículo que estamos considerando: "Concluímos pois que o homem é justi­ficado pela fé sem as obras da lei". Parece quase impossível que um homem assim, criado num lar excepcionalmente piedoso, e que passara sua vida toda no trabalho cristão, pudesse ter uma com­preensão errada a respeito de um ponto tão básico e fundamental — mas assim foi!

E eu diria que esta é a situação de um grande número de pessoas ainda hoje. Elas supõem estarem certas a respeito das coisas básicas, mas nunca entenderam sua justificação, e é exata­mente aí que o diabo causa confusão. Agrada-lhe que tais pessoas estejam preocupadas com santificação e santidade e coisas assim, mas elas nunca encontrarão o caminho certo até que esclareçam este aspecto, e portanto é aqui que devemos começar. Não adianta tratar da estrutura, se o alicerce tem falhas. Então devemos come­çar por esta grande doutrina. Esta confusão é um problema antigo. Num certo sentido é a obra-prima de Satanás. Ele até nos enco­rajará a sermos justos, enquanto puder nos confundir neste ponto. E ele está conseguindo isso, a julgar pelo fato que as pessoas na Igreja hoje em dia parecem considerar como cristão aquele que faz boas obras, mesmo estando inteiramente errado sobre esta verdade básica. É um problema antigo, e era o problema essencial dos judeus. É o que o Senhor Jesus estava dizendo constantemente aos fariseus, e certamente era o maior argumento que o apóstolo Paulo tinha com os judeus. Eles estavam completamente errados quanto a toda a questão da lei, e o maior problema era mostrar-lhes o ponto de vista certo sobre isso. Os judeus criam que Deus dera a lei ao homem para que ele pudesse se salvar, observando-a. Diziam que tudo que alguém precisava fazer era observar a lei, e que poderia alcançar a justificação mediante isso; e se essa pessoa vivesse de acordo com a lei, Deus a aceitaria, e Ele Se agradaria dela. E pensavam que podiam fazer isso, porque nunca tinham entendido a lei. Interpretaram-na à sua própria maneira, tornando-a em algo que estava ao seu alcance — e assim pensaram que tudo estava bem. Este é o quadro que os Evangelhos e todo o Novo Testamento dão a respeito dos fariseus. Era o problema dos judeus e ainda é o problema de muita gente hoje. Precisamos entender que há certas coisas que devem estar bem claras em nossa mente, antes de podermos realmente ter paz e usufruir as bênçãos da nossa vida cristã.

Este ponto preliminar pode ser esclarecido através de uma exposição geral do terceiro capítulo da carta aos Romanos. Na verdade, os primeiros quatro capítulos dessa grande epístola são dedicados a esse tema. A verdade principal que Paulo estava ansio­so por esclarecer era a mensagem da justiça de Deus, que é pela fé em Jesus Cristo. Ele já tinha declarado, em Romanos 1:16-17: "Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego. Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: mas o justo viverá pela fé". Mas então surge a pergunta: Por que nem todos criam nisso? Por que essa mensagem não foi aceita automaticamente por todos que a ouviram, como a melhor notícia já anunciada ao mundo? A resposta é que eles não creram porque não viram a necessidade disso. Tinham um conceito errado de justiça. A justiça de que Paulo fala significa um relacionamento correio com Deus. Não existe felicidade, não existe paz nem regozijo à parte de um rela­cionamento correto com Deus. E com isso todos concordam — tanto o cristão miserável como o cristão seguro. Mas a diferença entre um e outro, é que o cristão miserável tem um conceito errado sobre como alcançar a justiça de Deus. Esse também foi o proble­ma dos judeus. Eles, como eu já disse, declaravam que a justiça é alcançada através de uma conformação e observância da lei, como eles a entendiam. Mas eles tinham um conceito completamente errado da lei. Eles a perverteram de tal forma que o próprio meio que Deus lhes deu para esclarecer o caminho da salvação tornou-se nas mãos deles o maior obstáculo a essa salvação.

Qual, então, é o ensino? Há certos princípios, bastante sim­ples, que precisamos entender antes que possamos realmente usu­fruir dessa salvação cristã. O primeiro é convicção de pecado. Precisamos ter uma visão clara da nossa pecaminosidade. Aqui, vou seguir o método do apóstolo Paulo, levantando uma objeção imaginária. Imagino alguém dizendo imediatamente: "Você vai pregar sobre pecado, vai pregar sobre convicção de pecado? Você diz que seu objetivo é nos levar à felicidade, mas se vai pregar sobre convicção de pecado, isso vai nos tornar ainda mais infe­lizes. Você está deliberadamente tentando nos levar à miséria e ao desespero?" A minha resposta é: Sim! Este é o ensino do grande apóstolo nestes capítulos. Pode parecer um paradoxo — o termo realmente não importa — mas acima e além de qualquer dúvida, esta é a regra, e não há exceções. Você precisa passar por miséria e desespero, antes que possa conhecer a verdadeira alegria cristã. Na verdade, o grande problema do cristão miserável é que ele nunca foi levado a se sentir verdadeiramente miserá­vel por causa de convicção de pecado. Ele ignorou a preliminar essencial à alegria, presumindo algo que não tem o direito de presumir.

Deixem-me colocar isso num contexto bíblico. Lembram-se do velho Simeão segurando o Senhor Jesus Cristo, ainda bebê, em seus braços? Ele fez uma declaração muito profunda, ao dizer: "Eis que este é posto para queda e elevação de muitos em Israel". Não existe elevação sem que tenha havido uma queda antecedente. Esta é uma regra absoluta, e no entanto é algo que está sendo completamente esquecido por muitos hoje em dia, e mal interpre­tado por muitos outros. As Escrituras, porém, têm uma ordem, e essa ordem deve ser observada, se vamos usufruir os benefícios da salvação. Em última análise, a única coisa que vai levar o homem a Cristo, e fazê-lo confiar somente nEle, é uma verdadeira convicção de pecado. Erramos porque não somos verdadeiramente convictos do nosso pecado. É por isso que digo que este é um problema que afeta particularmente todos aqueles que foram cria­dos num ambiente cristão ou religioso. O seu maior problema, muitas vezes, é uma idéia errada do pecado. Lembro-me de uma pessoa que expressou isso de forma dramática em certa ocasião. Era uma senhora que fora criada num lar muito religioso, assídua frequentadora da igreja, sempre envolvida nas suas atividades. Era membro de uma igreja onde várias pessoas tinham se convertido de repente dos seus caminhos mundanos e vida pecaminosa — bebida, e coisas assim. Lembro quando ela me disse: "Sabe, eu quase chego a desejar que não tivesse sido criada da maneira que fui criada, e que tivesse vivido o tipo de vida que essas pessoas viveram, para também ter essa experiência maravilhosa". O que ela queria dizer com isso? O que ela realmente estava dizendo era que nunca tinha se visto como uma pessoa pecadora. Por que não? Há muitas razões. Esse tipo de pessoa, quando pensa em pecado, pensa em termos de ações, de atos. Não só isso, mas em termos de certos atos em particular, apenas. Então, sua tendência é pensar que, uma vez que não é culpada desses pecados especí­ficos, então não é realmente pecadora. De fato, às vezes o expressa bem claramente, dizendo: "Eu nunca pensei em mim mesmo como um pecador; mas, naturalmente, isso não é de espantar, uma vez que minha vida foi muito protegida desde o começo. Nunca fui tentado a fazer essas coisas, então não é de espantar que nunca tenha sentido que sou um pecador". E aí vemos a essência desse engano. Essas pessoas pensam em termos de ações, certos atos em particular, e em termos de comparação com outras pessoas e suas experiências, e assim por diante. Por' essa razão nunca tiveram uma convicção real de pecado, e por isso nunca viram claramente sua absoluta necessidade do Senhor Jesus Cristo. Ouviram pregar que Cristo morreu por nossos pecados, e dizem crer nisso; mas nunca chegaram a realmente reconhecer a sua absoluta necessidade pessoal disso.

Como, então, podem tais pessoas chegar à convicção de peca­do? Esse é o assunto de Paulo neste capítulo três da Epístola aos Romanos. Ele realmente tratou disso através do segundo capítulo também. E esta é sua grande tese: "Não há um justo, nem um sequer; porque todos pecaram, e destituídos estão da glória de Deus". Quem são esses "todos"? Ele deixa claro: tanto judeus como gentios. Os judeus, é óbvio, concordariam que os gentios eram pecadores, fora da aliança, transgressores contra Deus. "Mas esperem um pouco", Paulo diz: "vocês também são pecadores!" A razão por que os judeus odiavam Cristo e O crucificaram, a explicação da "ofensa da cruz", a razão por que Paulo foi tratado daquela forma por seus conterrâneos que odiavam a fé cristã, era que a fé cristã declarava o judeu tão pecador como o gentio. Ela asseverava que o judeu — o qual pensava que sempre tinha vivido uma vida justa e religiosa — era tão pecador como o peca­dor mais ímpio entre os gentios. "Todos pecaram"; judeus e gen­tios estão igualmente sob condenação diante de Deus.

O mesmo é verdade hoje, e se vamos levar a sério a convicção de pecado, a primeira coisa que devemos fazer é parar de pensar em pecados específicos. Quão difícil é isso para todos nós, pois todos temos esses preconceitos. Restringimos o pecado apenas a certas coisas, e se não somos culpados dessas coisas, pensamos que não somos pecadores. Todavia, essa não é a forma de se chegar à convicção de pecado. Não foi assim que John Wesley chegou a entender que era pecador. Lembram-se o que o levou à convicção de pecado? Começou quando ele viu a forma como certos irmãos morávios agiram durante uma tempestade em pleno oceano Atlân­tico. John Wesley estava apavorado com a tempestade, e com medo de morrer; os morávios não. Pareciam tão felizes e tranquilos em meio à tempestade como se o sol estivesse brilhando. John Wesley percebeu que tinha medo de morrer; de algum modo ele não conhecia a Deus da forma como aquelas pessoas O conheciam. Em outras palavras, ele começou a sentir sua necessidade, e isso é sempre o começo da convicção de pecado.

O ponto essencial aqui é que você não chega à convicção de que é pecador comparando-se com outras pessoas, e sim chegando face a face com a lei de Deus. Bem, o que é a lei de Deus? "Não matarás, não furtarás"? "Nunca fiz essas coisas, então não sou um pecador". Meu amigo, isso é apenas parte da lei de Deus. Você gostaria de saber o que é a lei de Deus? Aqui está: "Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças: este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Marcos 12:30-31). Esqueça tudo sobre bêbados e outros assim, esqueça as pessoas sobre quem você lê na imprensa atualmente. Aqui está o teste para você e para mim: você está amando a Deus de todo o seu coração? Se não está, você é um pecador. Esse é o teste. "Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus". Deus nos criou, e nos criou para Si mesmo. Ele criou o homem para Sua própria glória, e com a intenção que o homem vivesse inteiramente para Ele. O homem devia ser representante de Deus e andar em comu­nhão com Ele. Devia ser o senhor do universo, e devia glorificar a Deus. Como está no Catecismo Menor: "O fim principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre". E se você não está fazendo isso, você é um pecador da pior espécie, que reconheça e sinta isso ou não.

Ou deixem-me colocar de outra forma. Considero este um modo válido de apresentar o assunto. Deus sabe que estou pregando a minha própria experiência a vocês, pois tive uma formação muito religiosa. Também estou falando da minha experiência a vocês como alguém que frequentemente ajuda pessoas que foram criadas da mesma maneira. O homem foi criado para conhecer a Deus. Então a pergunta é: vocês conhecem a Deus? Não estou pergun­tando se vocês crêem em Deus, ou se crêem em certas coisas sobre Ele. Ser um cristão significa ter a vida eterna, e como o Senhor Jesus disse em João 17:3: "E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste". Então o teste que devemos aplicar a nós mesmos não é perguntar se fizemos isto ou aquilo. Meu teste é um teste positivo: "Eu conheço a Deus? Jesus Cristo é real para mim?" Não estou perguntando se vocês sabem coisas a respeito de Deus, mas se conhecem a Deus, se se alegram em Deus, se Deus é o centro de suas vidas, a alma do seu viver, a fonte da sua maior alegria? Ele deve ser. Ele criou o homem para isso — para que habitasse em comunhão com Deus, e se regozijasse nEle, e andasse com Deus. Nós fomos criados para isso, e se não estamos vivendo assim, isso é pecado. Isso é a essência do pecado. Não temos o direito de não ser assim. Isso é pecado, em sua forma pior e mais profunda. A essência do pecado, em outras palavras, é que não vivemos inteiramente para a glória de Deus. Naturalmente, ao cometer certos pecados, agravamos a nossa culpa diante de Deus, mas vocês podem ser inocentes de qualquer dos pecados mais vis, e ainda assim serem culpado desse terrível pecado — de estarem satisfeitos com suas próprias vidas, de terem orgulho das suas realizações, e de olharem para os outros com superioridade, sentindo que são melhores do que eles. Não há coisa pior do que isso, porque vocês estão dizendo a si mesmos que dê certa forma estão mais pertos de Deus do que os outros, quando na verdade não estão. Se esta é sua atitude, vocês são como o fariseu no templo, que agradeceu a Deus por não ser como aquele outro homem — "esse publicano". O fariseu nunca tinha visto sua necessidade de perdão, e não há pecado mais terrível do que esse. Não sei de nada pior do que um homem que diz: "Saiba que nunca realmente senti que sou um pecador". Esse é o cúmulo do pecado, pois significa que essa pessoa nunca compreendeu a verdade sobre Deus e sobre si mesma. Leiam o argumento do apóstolo Paulo, e perceberão que sua lógica não é apenas inevi­tável, mas também irrespondível. "Não há um justo, nem um sequer". "Sabemos que tudo o que a lei diz, aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda a boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus". Se nunca reconheceram a pró­pria culpa ou pecaminosidade diante de Deus, nunca vão ter ale­gria em Cristo. É impossível. Jesus não veio salvar justos, e sim pecadores. "Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes". Aí está o primeiro princípio — convicção de pecado. Meu amigo, se você não tem convicção de pecado, e se não reconhece que é indigno diante de Deus, que está condenado e que é um fracasso completo aos olhos de Deus, não preste atenção a mais nada até que tenha isto, até que chegue a essa compreensão, porque você nunca terá alegria, e nunca vai se livrar da sua depressão até que entenda isso. Convicção de pecado é um ponto preliminar essencial a uma verdadeira experiência de salvação.

Isso me traz ao segundo princípio. A segunda coisa que pre­cisamos entender é o caminho da salvação de Deus em Cristo. Esta é a grande boa nova. "Isto é o que eu estou pregando", Paulo diz aos romanos; "essa justiça de Deus que está em Jesus Cristo — Sua justiça". Do que ele está falando? Podemos colo­cá-lo em forma de pergunta. Como você vê Jesus Cristo? Por que Ele veio a este mundo? O que Deus fez em Cristo? Foi Ele apenas um exemplo, ou algo assim? Não vou perder tempo demonstrando a futilidade dessas suposições. Não. Isto é algo positivo, essa justiça de Deus em Jesus Cristo. A salvação está inteiramente em Cristo, e se você não está voltado exclusivamente para Cristo, tudo o mais tendo fracassado, você não é um cristão, e não é de admirar que não seja feliz. "A justiça de Deus em Jesus Cristo" significa que Deus O enviou ao mundo para que Ele honrasse a lei, e para que os homens pudessem ser perdoados. Aqui está Um que prestou obediência perfeita a Deus. Aqui está Um — Deus na carne — que tomou sobre Si mesmo a natureza humana e, como homem, rendeu a Deus perfeita adoração, perfeita lealdade e per­feita obediência. Ele observou a lei de Deus de maneira total e absoluta, sem uma falha. Mas não fez só isso. Paulo acrescenta algo mais nesta declaração clássica da doutrina da expiação: "Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes come­tidos, sob a paciência de Deus; para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daque­le que tem fé em Jesus". Isto significa que, antes que o homem possa ser reconciliado com Deus, antes que possa conhecer a Deus, esse pecado precisa ser removido. Deus disse que Ele iria punir o pecado, e o castigo do pecado é a morte, como também sepa­ração de Deus. Isso precisa ser resolvido. E o que aconteceu? "Bem", diz Paulo, "Deus o enviou como propiciação". Esse foi o meio que Deus empregou. Significa que Deus fez Cristo respon­sável por nossos pecados. Eles foram colocados sobre Cristo, e Deus tratou deles e os puniu ali, e uma vez que Ele puniu nossos pecado em Cristo, em Seu corpo sobre a cruz, Ele pode nos perdoar com justiça. Como vemos, esta é uma doutrina profunda. É uma declaração arriscada do apóstolo, mas isso precisa ser dito, e vou repetir. Deus, sendo justo, santo e eterno, não podia per­doar o pecado do homem sem castigá-lo. Ele disse que iria puni-lo, então Ele precisa puni-lo* — e, bendito seja o Seu nome, Ele o puniu! Ele é justo, portanto, e o justificador daquele que crê em Jesus. O pecado foi punido, por isso Deus, que é justo e santo, pode perdoar o pecado.

Como, então, isso funciona? Desta maneira: Deus aceita esta justiça de Cristo, esta justiça perfeita face a face com a lei que Ele honrou em todos os aspectos. Ele a guardou e obedeceu e levou seu castigo. A lei foi totalmente satisfeita. Este é o caminho de salvação de Deus, diz Paulo. Ele nos dá a justiça de Cristo. Se vemos a nossa necessidade, e vamos a Deus e a confessamos, Ele nos dá a justiça de Seu próprio Filho. Ele imputa a justiça de Cristo a nós que cremos nEle, e nos considera justos, e nos declara justos nEle. Esse é o caminho da salvação, o caminho cristão de salvação, o caminho de salvação através da justificação pela fé. E se resume nisto: que eu não vejo, nem creio nem olho para nada e ninguém a não ser o Senhor Jesus Cristo. Gosto da ma­neira como Paulo o expressa. Ele pergunta: "Onde está logo a jactância? É excluída. Por qual lei? Das obras? Não; mas pela lei da fé". "Oh, judeus tolos", diz Paulo. "Vocês se gabam do fato que são circuncidados, e que têm os oráculos de Deus, e que são o povo de Deus. Precisam parar com isso. Vocês não podem descansar no fato de que têm esta tradição e que são filhos de Israel. Não há jactância — precisam se basear exclusivamente no Senhor Jesus Cristo e Sua obra perfeita. O judeu não é superior ao gentio neste aspecto. "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus". Olhamos para Cristo, e para Cristo somente, e não para nós mesmos, em nenhum aspecto que seja.

Para tornar isto bem prático, quero dizer que há um meio muito simples de alguém se testar a si mesmo, para saber se realmente crê nisso. Nós nos revelamos por nossas palavras. O Senhor mesmo disse que seríamos justificados por nossas palavras — e como é verdade! Eu já tive que abordar este ponto com muitas pessoas, explicando o caminho da justificação pela fé, mos­trando como é tudo em Cristo, e que Deus nos confere a justiça dEle. E depois de explicar tudo, eu digo: "Vocês entenderam isso? Vocês crêem nisso?" E a resposta é "sim". Então eu digo: "Então estão prontos para dizer que são cristãos?" E eles hesitam. E eu sei então que não entenderam, e pergunto: "O que houve? Por que estão hesitando?" E cada um responde: "Eu não sinto que sou bastante bom". E eu percebo que não entenderam nada. Ainda estão pensando em termos de si mesmos; sua idéia ainda é que precisam ser bons para serem cristãos, precisam ser bons para serem aceitos por Cristo. Eles têm que fazê-lo! "Não sou bastante bom". Parece muito humilde, mas é uma mentira do diabo, e uma negação da fé. Amigo, você acha que está sendo humilde, mas nunca será suficientemente bom; ninguém jamais foi bastante bom. A essência da salvação cristã é dizer que Ele é suficientemente bom, e eu estou nEle!

Enquanto você continuar pensando em si mesmo, dizendo: "Ah, sim, eu gostaria mas não sou bom o suficiente; sou um pecador, um grande pecador", você está negando a Deus, e nunca vai ser feliz. Vai continuar se sentindo abatido e perturbado em sua alma. Você vai pensar em certas ocasiões que está melhorando, para logo descobrir que não é tão bom quanto pensava. Ao ler as biografias dos santos, você percebe que é um fracasso. Daí fica perguntando: "Que posso fazer? Continuo sentindo que não sou tão bom quanto devia ser". Esqueça-se, esqueça tudo a respeito de si mesmo! É claro que você não é bom o suficiente — e nunca o será! O caminho cristão de salvação lhe diz isto — que não importa o que você foi ou o que fez. Como posso explicar isto com clareza? Tento comunicá-lo do púlpito todo domingo, pois creio que é a coisa que está privando muitas pessoas do gozo do Senhor. Não importa que você tenha ido quase às profun­dezas do inferno, ou se é culpado de homicídio ou qualquer outro pecado vil, não importa quando se trata de justificação perante Deus. Você não é mais perdido do que a pessoa mais respeitável e correta do mundo. Você acredita nisso?

Há um outro meio de se testar a si mesmo. Você crê que com referência à salvação e justificação diante de Deus, todas as nossas habituais distinções são demolidas de uma vez, e que o que determina se somos pecadores ou não, não é o que fizemos, e sim nosso relacionamento com Deus? Eu digo, portanto, que este é o teste — que você reconheça prontamente e declare com firmeza que está olhando para Cristo, e Cristo somente, e a nada e ninguém mais, e que deixe de levar em consideração certos peca­dos e certas pessoas. Não olhe para nada nem para ninguém, a não ser Jesus Cristo, e diga: em nada ponho a minha fé, senão no sangue de Jesus, no sacrifício remidor, no sangue do meu Redentor. A minha fé e o meu amor estão firmados no Senhor. E você precisa crer de tal forma que possa ir além, decla­rando com santa convicção: Seu juramento é mui leal, Abriga-me no temporal; Ao vir cercar-me a tentação, É Cristo a minha salvação.

Você gostaria de se livrar dessa depressão espiritual? A pri­meira coisa que precisa fazer é dizer adeus de uma vez por todas ao seu passado. Compreenda que ele foi coberto e apagado em Cristo. Nunca mais olhe para trás para os seus pecados. Diga: "Está consumado! Eles foram cobertos pelo sangue de Cristo". Esse é o primeiro passo. Tome-o, e acabe com toda essa conversa sobre "ser bom", e olhe para o Senhor Jesus Cristo. Somente então é que verdadeira felicidade e alegria poderão ser suas! Você não precisa decidir viver uma vida melhor, ou começar a jejuar, se esforçar e orar. Não! Diga apenas: Descanso a minha fé nAquele que morreu para expiar minhas transgressões. Dê o primeiro passo, e descobrirá que imediatamente vai começar a experimentar uma alegria e uma liberdade que nunca conheceu antes em sua vida. "Concluímos pois que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei". Bendito seja o nome de Deus por uma salvação tão maravilhosa para pecadores de­sesperados.

D. M. Lloyd-Jones

Depressão Espiritual - Capítulo 1

Prefácio

Estes sermões foram pregados numa série de domingos con­secutivos na Capela de Westminster, em Londres, e estão sendo publicados virtualmente na forma como foram pregados.

A necessidade destes sermões nasceu como resultado da expe­riência pastoral, e estão agora sendo publicados em forma de livro atendendo ao pedido de grande número de pessoas.

Eu creio que a maior necessidade atual é de uma Igreja rea­vivada e triunfante, e portanto, o assunto tratado nestes sermões é da máxima importância. Cristãos deprimidos constituem uma recomendação muito pobre para a fé cristã; e não há qualquer dúvida que o regozijo exuberante dos cristãos primitivos foi um dos fatores mais poderosos na expansão do cristianismo.

Este estudo de forma alguma esgota o assunto. Tentei tratar daquelas causas que descobri serem as mais comuns desse problema. Em vários aspectos (por exemplo, o relacionamento entre o físico, o psicológico e espiritual), eu gostaria de ter tratado do problema de maneira mais completa, porém não foi possível fazer isso num sermão. Em todo caso, sermões não visam os "especialistas", e sim o povo comum, principalmente aqueles em necessidade de ajuda.

Minha oração é que Deus use estas mensagens para abençoar tais pessoas.

Os que forem abençoados por este livro, desejarão se unir a mim em agradecimento à Sra. Hutchings que transcreveu os ser­mões, e à minha esposa que se encarregou da revisão, leitura de provas, correções, etc.



D. M. Lloyd-Jones Westminster Chapel Setembro de 1964

1 - Cosiderações Gerais

"Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas em mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei na salvação da sua presença". Salmo 42:5

"Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas dentro de mim? espera em Deus, pois ainda o louvarei. Ele ê a salvação da minha face, e o meu Deus". Salmo 42:11

A descrição mais simples do livro dos Salmos é que ele era o livro inspirado de oração e louvor de Israel. Contém a revelação da verdade, não de forma abstrata, mas em termos de experiência humana. A verdade revelada está imbuída nas emoções, anseios e sofrimentos do povo de Deus pelas circunstâncias que tiveram de enfrentar.

Devido isso ser uma descrição muito fiel dos Salmos, eles sempre têm sido uma fonte de conforto e encorajamento para o povo de Deus através dos séculos — tanto para os filhos de Israel como para a Igreja Cristã.

Aqui podemos observar almas nobres lutando com seus pro­blemas e consigo mesmas. Falam consigo mesmas e às suas almas, descobrindo seus corações, analisando seus problemas, censurando e animando a si mesmas. Às vezes estão animadas, outras vezes deprimidas, mas sempre sinceras consigo mesmas. É por isso que são de tanto valor para nós, se também formos sinceros conosco mesmos.

Neste salmo (42) que pretendemos considerar, o salmista está infeliz e perturbado, e por isso desabafa nestas dramáticas palavras: "Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas em mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei na salvação da sua presença".

Esta declaração, encontrada duas vezes neste salmo, é também repetida no salmo seguinte. Alguns consideram o Salmo 43 como parte do Salmo 42, e não um salmo separado. É algo que não podemos saber, e realmente não é importante, mas encontramos essa declaração em ambos os Salmos, pois está repetida no fim do Salmo 43.

O salmista está compartilhando sua perturbação, a infelicidade de sua alma, e as circunstâncias que estava atravessando quando escreveu estas palavras. Ele nos conta o motivo da sua perturbação. Provavelmente naquele período ele foi impedido de se unir aos outros em adoração na casa de Deus. Mas não só isso: ele estava claramente sendo atacado por certos inimigos. Havia pessoas que estavam fazendo todo o possível para deprimi-lo, e ele relata isso. Contudo, estamos interessados aqui particularmente na maneira que ele enfrenta a situação e pela qual trata consigo mesmo.

Nosso assunto, em outras palavras, é o que poderíamos des­crever como "depressão espiritual", as suas causas e a maneira como deve ser tratada. É interessante notar a frequência com que este assunto é tratado nas Escrituras. Isso nos leva à conclusão que é um problema muito comum, e que parece ter afligido o povo de Deus desde o princípio, pois tanto o Velho como o Novo Testamento o descrevem e o tratam demoradamente. Isso, por si só, seria razão suficiente para trazê-lo à sua atenção, mas eu também o faço porque parece ser um problema que está afligindo o povo de Deus de forma particular nos dias atuais.

Existem muitas razões para isso. Uma das maiores, sem dú­vida, são os eventos terríveis que enfrentamos nesta geração: as duas grandes guerras, e os distúrbios que resultaram delas. Certa­mente não é a única razão, mas não tenho dúvida que ela é parcialmente responsável. Entretanto, qualquer que seja a razão, o fato é que existem muitos cristãos que dão a impressão de serem infelizes. Estão abatidos, suas almas estão perturbadas dentro deles, e esta é a razão porque resolvi trazer este assunto à sua atenção.

Para fazer uma análise a fundo deste tema, precisamos pros­seguir ao longo de duas linhas de pensamento. Primeiro, precisa­mos ver o que a Bíblia ensina sobre o assunto, e então vamos examinar alguns exemplos ou ilustrações notáveis deste problema na Bíblia, e observar como as pessoas envolvidas agiram, e como Deus tratou com elas. Esta é uma boa maneira de enfrentar qual­quer problema na vida espiritual. É sempre bom começar com a Bíblia, onde encontramos ensinamentos claros sobre todo e qualquer problema, e depois examinar exemplos e ilustrações oferecidos pela mesma fonte.

Ambos os métodos podem ajudar-nos muito; e eu gostaria de enfatizar a importância de seguir tanto um como o outro. Há pessoas que só se interessam pelos exemplos, as histórias; mas se não tivermos o cuidado de captar os princípios ilustrados pelas histórias, provavelmente acabaremos por agravar nossa condição, e ainda que possamos ganhar muito através de exemplos e ilus­trações, é imprescindível que primeiro busquemos os princípios. Muitas pessoas hoje têm problemas porque, em certo sentido, estão vivendo das experiências de outros, ou cobiçando a experiência de outros; e é porque estão sempre olhando para outras pessoas e suas histórias em vez de primeiro captarem os princípios, que tantas vezes se desviam. Nosso conhecimento da Bíblia devia ter nos prevenido e protegido de tal perigo, pois invariavelmente faz ambas as coisas, como veremos em nossa discussão desse assunto. Existe este grande ensino doutrinário, claro e simples, e além disso Deus em Sua graça tem acrescentado as ilustrações para que pos­samos ver esses grandes princípios colocados em prática.

Eu nem preciso explicar porque considero importante que examinemos esta questão. Eu o faço, em parte, por aqueles que estão nesta condição, para que possam ser libertos de sua infe­licidade, inquietação, desconforto e tensão, esta perturbação que é descrita com tanta exatidão pelo salmista neste salmo. É muito triste saber que há cristãos que vivem a maior parte de suas vidas neste mundo em tal situação. Não significa que não são cristãos, mas significa que estão perdendo muito, perdendo tanta coisa importante que exige um exame do problema de depressão espiri­tual em toda a sua extensão, conforme apresentado neste salmo, nem que seja somente para o bem deles.

Mas há uma outra razão e mais importante: devemos enfren­tar este problema por amor ao reino de Deus, e para a glória de Deus. De certa forma, um cristão deprimido é uma contradição de termos, e é uma péssima recomendação do evangelho. Vivemos numa época pragmática. As pessoas hoje em dia não estão prima­riamente interessadas na verdade, e sim em resultados. Sua per­gunta sempre é: Isso funciona? Estão freneticamente buscando alguma coisa que possa ajudá-las. Nós cremos que a obra de Deus, a ampliação do Seu reino, é realizada em parte por Seu povo, e sabemos que, no curso da história da Igreja, Deus frequentemente realizou coisas notáveis através da vida de alguns cristãos muito simples e comuns. Por conseguinte, é muito importante que sejamos libertos de uma condição que dê às pessoas que nos observam a impressão que ser cristão significa ser infeliz, triste, mórbido, e que um cristão é alguém que "despreza os prazeres e vive dias laboriosos". Na verdade, há muitos que apresentam isso como razão para não serem cristãos e para desistirem de qualquer inte­resse que possam ter experimentado pela fé cristã. Dizem: "Veja esses cristãos, olha a impressão que eles dão!" E gostam de nos comparar com as pessoas do mundo — gente que parece muito entusiasmada pelas coisas em que acredita, quaisquer que elas sejam. Essa gente grita e torce nos campos de futebol, comenta os filmes que viu, está cheia de vibração e quer que todos saibam disso. Em contraste, muitas vezes os cristãos parecem estar em perpétua depressão, com uma aparência de infelicidade, falta de liberdade e ausência de alegria. Não há dúvida que esta é a razão principal porque tantas pessoas deixaram de mostrar interesse pelo cristianismo. E, para ser franco, essa atitude de certa forma é justificada, e temos que admitir que suas críticas têm razão de ser. Portanto, é necessário, não só por amor a nós mesmo, mas por amor ao reino de Deus, e pela glória do Cristo em quem confiamos, representar a Ele e Sua causa, Sua mensagem e Seu poder de tal maneira que homens e mulheres, em vez de se oporem, sintam-se atraídos e persuadidos ao nos observarem, sejam quais forem nossas circunstâncias e nossa situação. Precisamos viver de tal forma que eles sejam compelidos a dizer: "oxalá eu pudesse ser assim, oxalá eu pudesse viver neste mundo como essa pessoa vive!". Mas é óbvio que se vivermos em depressão, jamais nossa vida terá esse efeito sobre os outros.

Por enquanto quero abordar este assunto de forma geral. Quero examinar e considerar as causas gerais, e também avaliar a maneira que devemos tratar do problema em nós mesmos, se estamos sofrendo dele. Depois dessas considerações gerais, esta­remos em condições de examinar o problema de maneira mais detalhada, e quero enfatizar a importância de fazer isso. Se exami­narmos as obras e os escritos de homens famosos na história da Igreja que trataram deste problema específico, vamos descobrir que invariavelmente abordavam o assunto dessa forma. Eu sei que não é assim que se faz hoje em dia. Estamos sempre com pressa e queremos tudo instantaneamente. Achamos que toda verdade pode ser apresentada em poucos minutos. Mas o fato é que isso não é possível; e a razão por que tantos hoje em dia estão vivendo uma vida cristã superficial, é que não estão dispostos a tomar tempo para se examinarem a si mesmos.

Vou usar uma ilustração. Muitas vezes ouvimos falar de pes­soas que têm dificuldade em seguir um tratamento prescrito por um médico. Elas vão ao médico e recebem certas instruções. Então vão para casa certas de que sabem exatamente o que fazer. Mas quando começam a observar o tratamento, descobrem que as instruções do médico não foram suficientemente detalhadas. Ele lhes dera instruções gerais, sem se preocupar em detalhar essas instruções. Sentem-se então confusas, sem saberem o que fazer e sem se lembrarem exatamente como o tratamento deve ser observado. O mesmo se aplica ao ensino — razão porque o professor sábio apresenta primeiro os princípios gerais, mas nunca se esquece de explicá-los depois em detalhe. Declarações gerais não são suficientes em si mesmas — é preciso que sejam depois expostas de maneira específica e detalhada. Por enquanto, todavia, vamos tratar do quadro geral.

Antes de tudo, então, vamos examinar o problema. Seria impossível encontrar uma descrição melhor do que a que é dada aqui pelo salmista. É um quadro extraordinariamente preciso de depressão espiritual. Leiam as palavras e quase poderão ver o homem, perturbado e abatido. É quase possível ver isso em seu rosto.

Em relação a isso, notem a diferença entre o versículo 5 e o versículo 11. Vejam o versículo onze: "Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas dentro de mim? espera em Deus, pois ainda o louvarei. Ele é a salvação da minha face, e o meu Deus". No quinto versículo ele diz: "Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas dentro de mim? espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu" (versão atualizada). Nesse versículo ele diz que há auxílio na presença de Deus (i.e., perante a face de Deus); mas no versículo onze ele fala da "minha face". Em outras palavras o homem que se sente abatido, desanimado e miserável, que está infeliz e depri­mido, sempre revela isso em seu rosto. Ele parece preocupado e perturbado. Basta olhar para ele, e se percebe sua condição. "Sim", diz o salmista, "mas quando realmente olho para Deus, e me sinto melhor, minha face também melhora" — "Ele é a salvação da minha face". Aquela aparência cansada, perturbada, aflita, inquieta, perplexa e introspectiva se desfaz, e eu passo a comuni­car uma impressão de paz, calma e equilíbrio. Isso não é uma máscara, e sim um resultado inevitável de olhar para Deus. Se estamos deprimidos e infelizes, queiramos ou não, vamos demonstrar isso em nosso rosto. Por outro lado, se nosso relacionamento com Deus é correto, se estamos andando no Espírito, isso inevi­tavelmente também vai se expressar em nosso semblante. Com isso não estou dizendo que devemos andar por aí com aquele perpétuo sorriso forçado no rosto, que certas pessoas consideram essencial à manifestação da verdadeira alegria cristã. Não preci­samos forçar nada — essa alegria vai se expressar naturalmente: "Ele é a salvação da minha face".

Mas contemplem de novo o quadro que esse pobre homem apresenta. Parece estar carregando o mundo todo sobre seus ombros. Está abatido, triste, perturbado, perplexo. Não só isso, ele também nos diz que chora: "As minhas lágrimas tem sido o meu alimento dia e noite". Ele chora porque está num estado de perplexidade e temor. Está preocupado consigo mesmo, com o que está acontecendo com ele, e perturbado com os inimigos que o estão atacando e insinuando coisas sobre ele e sobre o seu Deus. Tudo parece estar em cima dele, esmagando-o. Ele não consegue controlar suas emoções, e chega ao ponto de perder o apetite. Diz que suas lágrimas têm sido o seu alimento. Todos estamos familia­rizados com esse fenômeno. Se alguém está ansioso ou preocupado, perde o apetite — não quer comer. De fato, a comida parece quase que repugnante. Ainda que este seja um problema digno de nota, mesmo que somente do ponto de vista físico e médico, não decénios nos deter nele, exceto para enfatizar a importância do quadro que apresenta. Um dos problemas resultantes da depressão espiritual é que, com frequência, quando sofremos dela, não esta­mos conscientes da impressão que está sendo transmitida aos outros. Uma vez que devemos nos preocupar com isso, é bom que examinemos o quadro objetivo. Se tivéssemos a capacidade de nos ver a nós mesmos como os outros nos vêem, este muitas vezes seria o passo decisivo para a vitória e a libertação. É bom olhar para nós mesmos, tentando visualizar o quadro que estamos apre­sentando aos outros, como uma pessoa deprimida, chorosa, que não quer comer, nem ver ninguém, e está tão preocupada com seus problemas que comunica a todos um quadro de depressão e miséria.

Tendo descrito o problema de forma geral, quero agora men­cionar algumas das suas causas gerais. Eu não hesito em colocar, em primeiro lugar e acima de tudo, o temperamento. Afinal, é um fato que as pessoas são diferentes em temperamento e personali­dade. Será que alguém se surpreenderá por eu colocar isso em primeiro lugar? Ou argumentará: "Quando você fala de cristãos, não deveria abordar a questão de temperamento, ou tipo de perso­nalidade. Por certo o cristianismo elimina tudo isso, e você não deveria considerar esse aspecto como tendo influência na questão". Pois bem, essa objeção é válida, e deve ser respondida. Quero começar deixando bem claro que o temperamento, o perfil psico­lógico e a nossa personalidade não fazem a mínima diferença no que concerne à nossa salvação. Esta é, graças a Deus, a base da nossa posição como cristãos. Não importa qual é o nosso tem­peramento; somos todos salvos do mesmo modo, pelo mesmo ato de Deus em e através de Seu Filho, nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Esta é nossa resposta para a psicologia, e para as críticas ao cristianismo que muitas vezes resultam do estudo da psicologia. Quero deixar uma coisa bem clara: não importa quais sejam seus antecedentes, não importa qual o temperamento que lhe foi dado neste mundo — tudo isso não faz a mínima diferença no que se refere à salvação. Não reconhecemos a existência de um "complexo religioso". Nós nos glorificamos no fato de que a história da Igreja dá provas abundantes de que todo e qualquer tipo concebível de temperamento foi, e ainda é, encontrado hoje na Igreja do Deus vivo. Mas embora eu enfatize, com todo o meu ser, o fato de que o temperamento não faz a mínima diferença quanto à nossa salvação, quero igualmente enfatizar que ele faz uma enorme dife­rença na experiência concreta da nossa vida cristã, e quando esta­mos tratando de um problema como o da depressão espiritual, esta questão do temperamento deve ser um dos primeiros fatores a ser considerado.

Em outras palavras, de acordo com minha compreensão do ensino bíblico sobre esta questão, não há nada tão importante como a necessidade, de nos conhecermos a nós mesmos, e isso tão cedo quanto possível. Pois o fato é que, embora sejamos todos cristãos, unidos num mesmo "corpo", todos somos diferentes, e os problemas e dificuldades, as tribulações e perplexidades que enfren­tamos são, em grande medida, determinadas pelas diferenças de temperamento e tipos de personalidade. Todos participamos da mesma batalha, é claro, pois todos compartilhamos da mesma salvação comum, e temos a mesma necessidade básica. Mas as manifestações do problema variam de um caso para outro, e de uma pessoa para outra. Não há nada mais fútil, ao tratar desse problema, do que agir com base na suposição de que todos os cristãos são idênticos em todos os aspectos. Não são — e Deus jamais planejou que fossem.

Este ponto pode ser melhor ilustrado por um exemplo de uma outra esfera. Todos nós somos seres humanos, tendo basicamente a mesma constituição física, no entanto sabemos muito bem que não há duas pessoas idênticas. Na verdade, somos todos diferentes em muitos aspectos. Ora, muitas vezes encontramos pessoas que defen­dem estilos de vida, ou métodos de tratamento de doenças, que ignoram completamente este fato fundamental, e portanto, estão obviamente erradas. Elas receitariam a mesma dieta para todo mundo. Prescrevem este regime universal, afirmando que vai curar todo mundo. Isso, eu digo, é impossível, e basicamente errado.

Muitas vezes tenho dito que a primeira lei fundamental da dietética se resume naquele ditado, em inglês, que traduzido diz mais ou menos o seguinte: "João da Silva não podia comer gor­dura, sua mulher não podia comer carne". Está certo! É uma declaração engraçada, num sentido, mas por outro lado, é um princípio fundamental de nutrição. João da Silva tem uma consti­tuição diferente da de sua mulher, e sugerir que a mesma dieta seria perfeita para ambos é um erro fundamental. Ambos são seres humanos, mas como seres humanos são diferentes em sua consti­tuição física. Ou, para citar outro exemplo, vejam a tendência de insistir que todas as crianças nas escolas façam ginástica. Aí temos novamente o mesmo erro. Todos diferimos em altura e cons­tituição física, e é algo irracional estabelecer uma regra inflexível para incluir todos os tipos. Alguns têm aptidão para essas coisas, e outros não; e exigir que todas as crianças participem do mesmo tipo de atividade física é tão absurdo como submeter todas as pessoas à mesma dieta. Todos necessitamos de exercício, mas não do mesmo tipo ou na mesma quantidade.

Menciono isso para ilustrar essa tendência à arregimenta­ção; e o ponto que quero esclarecer é que não podemos estabelecer leis assim generalizadas e universais, como se os homens fossem máquinas. É errado na esfera física, como eu acabo de demonstrar, e é muito mais errado na esfera espiritual.

É bem óbvio que podemos dividir os seres humanos em dois grupos básicos — os introvertidos e os extrovertidos. Há um tipo de pessoa que está constantemente voltada para dentro de si mesma, e outro tipo cuja atenção está em geral voltada para fora. E é muito importante compreender, não só que pertencemos a um desses dois grupos, mas também que o problema de depressão espiritual tende a afetar um desses grupos mais do que afeta ao outro. Precisamos começar por conhecer e entender a nós mesmos.

Há um tipo de pessoa que é especialmente vulnerável ao pro­blema da depressão espiritual. Isso não significa que essas pessoas sejam piores do que as outras. Na verdade, eu poderia sustentar com boa base que as pessoas que se destacaram de forma gloriosa na história da Igreja eram, muitas vezes, do tipo que estamos considerando. Alguns dos maiores santos eram introvertidos; o extrovertido geralmente é uma pessoa mais superficial. Na esfera natural existe o tipo de pessoa que está sempre fazendo auto-aná­lise, avaliando tudo o que faz, e se preocupando com os possíveis efeitos de suas ações, sempre olhando para trás, sempre cheia de remorsos fúteis. Pode ser algo que foi feito uma vez para sempre, mas ela não consegue esquecê-lo. Não pode desfazer o que foi feito, entretanto passa o tempo todo se analisando, culpando e condenando. Vocês estão familiarizados com esse tipo de pessoa. Ora, tudo isso é também transferido para a esfera do espírito, afetando sua vida espiritual. Em outras palavras, há um perigo de que tais pessoas se tornem mórbidas. Eu já disse que poderia mencionar nomes. Certamente um deles foi o grande Henry Martin. Não se pode ler a vida desse grande homem de Deus sem se chegar à imediata conclusão de que ele tinha uma personalidade introspectiva. Era introvertido, e sofria de uma tendência óbvia para a morbidez e a introspecção.

Esses dois termos nos lembram que o problema fundamental dessas pessoas, é que elas muitas vezes não cuidam de estabelecer a linha divisória entre auto-análise e introspecção. Todos concor­damos com a necessidade de nos examinarmos a nós mesmos, mas também concordamos que a introspecção e a morbidez são coisas nocivas. Qual, então, é a diferença entre auto-análise e introspec­ção? Eu diria que atravessamos a linha divisória entre auto-análise e introspecção quando não fazemos outra coisa senão nos exami­nar, e quando essa auto-análise se torna o fim dominante da nossa vida. Devemos nos examinar periodicamente, porém se o fazemos constantemente, colocando, por assim dizer, a nossa alma num recipiente para dissecá-la, isso é introspecção. E se estamos sempre falando com os outros a respeito de nós mesmos, de nossos pro­blemas e dificuldades, e nos aproximamos deles com uma carranca, dizendo: "Tenho tantos problemas!" — provavelmente isso signi­fica que estamos sempre com nossa atenção toda concentrada em nós mesmos. Isso é introspecção, e pode levar à condição conhe­cida como morbidez.

Aqui, então, é o ponto aonde devemos começar. Será que nos conhecemos a nós mesmos? Sabemos quais são as áreas es­pecíficas de perigo para nós? Sabemos a que é que somos espe­cialmente vulneráveis? A Bíblia está repleta de ensinamentos sobre isso. Ela nos exorta a sermos cuidadosos com respeito às nossas forças e às nossas fraquezas. Tomemos Moisés como exemplo. Ele era o homem mais manso sobre a Terra, segundo a Bíblia; e, no entanto, seu maior fracasso teve ligação exatamente com isso. Ele afirmou sua própria vontade, e ficou irado. Temos que vigiar tanto nossas forças como nossas fraquezas. A essência da sabedoria é compreender este fato fundamental sobre nós mesmos. Se eu, por natureza, sou um introvertido, tenho que exercer uma vigilância constante e advertir a mim mesmo sobre isso, para não cair incons­cientemente num estado de morbidez. Da mesma forma, o extro­vertido precisa conhecer-se a si mesmo, mantendo vigilância contra as tentações peculiares à sua natureza. Alguns de nós, por natu­reza e devido ao nosso temperamento, somos mais suscetíveis à esta doença chamada depressão espirtual do que outros. Perten­cemos ao mesmo grupo que Jeremias, João Batista, Paulo, Lutero e muitos outros. Uma companhia muito seleta! Sim, mas não se pode pertencer a ela sem ser especialmente vulnerável a esse tipo específico de tribulação.

Agora passemos à segunda grande causa: condições físicas. Isso surpreende alguém? Há alguém que pensa que a condição física do seu corpo não importa desde que é cristão?. Bem, se pensa assim, não vai demorar para sofrer uma desilusão. A condi­ção física tem muita influência nisso tudo. É difícil marcar uma linha divisória entre esta causa e a anterior, porque o tempera­mento parece ser controlado, até certo ponto ,por condições físicas, e na verdade há pessoas que são, parece, fisicamente vulneráveis ao problema da depressão espiritual. Em outras palavras, existem certas debilidades físicas que tendem a causar depressão. Acho que Thomas Carlyle foi um bom exemplo disso. Ou tomemos aquele extraordinário pregador inglês do século passado, que pre­gou em Londres por quase quarenta anos — Charles Haddon Spurgeon — um dos maiores pregadores de todos os tempos. Esse grande homem era sujeito a depressão espiritual, e a explicação, no caso dele, sem dúvida era o fato de que ele sofria de gota, o problema que acabou causando a sua morte. Ele teve que enfrentar esse problema de depressão espiritual muitas vezes em sua forma mais intensa. Essa tendência à depressão profunda era uma conse­quência do problema de gota, problema esse que Spurgeon herdou de seus ancestrais. E há muitas pessoas que me procuram em busca de ajuda para o problema de depressão, em cujos casos se torna óbvio para mim que a causa de seu problema é, princi­palmente, física. Estão incluídos nesse grupo de causas físicas: cansaço, esgotamento, "stress", e qualquer tipo de doença. Não se pode isolar o físico, separando-o do espiritual, pois somos corpo, mente e espírito. Os melhores cristãos são mais propensos a ata­ques de depressão espiritual quando estão fisicamente fracos — e encontramos grandes ilustrações disso na Bíblia.

Quero dar uma palavra de advertência nesta altura. Não podemos esquecer a existência do diabo, nem permitir que ele nos engane, considerando espiritual aquilo que é fundamentalmente físico. Mas por outro lado, devemos ser cuidadosos nessa distin­ção em todos os aspectos; porque, se jogamos toda a culpa em nossa condição física, podemos nos tornar culpados num sentido espiritual. Entretanto, se reconhecermos que nosso físico pode ser parcialmente responsável por nosso problema espiritual, e levar­mos isso em consideração, será mais fácil tratar do espiritual.

Outra causa frequente da depressão espiritual é o que pode­ríamos chamar de "reação" — reação a uma grande bênção, ou a uma experiência extraordinária ou fora do comum. Pretendo cha­mar atenção posteriormente ao caso de Elias, assentado debaixo do zimbro! Não tenho nenhuma dúvida de que seu problema era que ele estava sofrendo de uma reação ao que acontecera no Monte Carmelo (I Reis, capítulo 19). Abraão teve a mesma experiência (Génesis, capítulo 15). Por isso, quando alguém vem me contar a respeito de alguma experiência extraordinária que teve, eu me regozijo com a pessoa, dando graças a Deus; mas passo a obser­vá-la atenta e apreensivamente depois disso, caso haja uma reação. Isso não precisa acontecer, mas pode se dar se não estivermos cientes dessa possibilidade. Se apenas compreendêssemos que quan­do Deus se agrada em nos dar uma bênção incomum, deveríamos redobrar nossa vigilância, então poderemos evitar essa reação.

Passemos para a causa seguinte. Em certo sentido, em última análise, esta é a única causa da depressão espiritual — é o diabo, o inimigo de nossas almas. Ele pode usar nosso temperamento e nossa condição física. Ele nos manipula de tal forma que acabamos permitindo que nosso temperamento nos controle e governe nossas ações, em vez de nós mantermos o controle sobre ele. São incon­táveis os meios pelos quais o diabo causa a depressão espiritual. Temos que nos lembrar dele. O seu objetivo é deprimir o povo de Deus, de tal forma que ele possa ir ao homem do mundo, dizen­do: "Eis o povo de Deus; você quer ser assim?" A estratégia do adversário de nossas almas, o adversário de Deus, é de nos levar à depressão e ao estado de espírito do salmista quando estava atravessando este período de perturbação e infelicidade.

Na verdade, posso resumir a questão desta forma: a causa básica de toda depressão espiritual é incredulidade, pois se não fosse por ela nem o diabo poderia fazer coisa alguma. É porque prestamos atenção ao diabo em vez de ouvirmos a Deus, que caímos derrotados diante dos ataques do inimigo. Por isso é que o salmista continua dizendo a si mesmo "Espera em Deus, pois ainda o louvarei". Ele volta o seu pensamento para Deus. Por quê? Porque ele estava deprimido, e tinha se esquecido de Deus, de forma que sua fé em Deus e no Seu poder, e sua confiança no relacionamento que tinha com o Senhor, não eram o que deveriam ser. Podemos, portanto, resumir tudo isso, afirmando que a causa fundamental é pura e simples incredulidade.

Até aqui, então, temos examinado as causas. E quanto ao tratamento? Abreviadamente, por ora a primeira coisa que preci­samos aprender é o que o salmista aprendeu — precisamos assu­mir o controle de nós mesmos. Este homem não se contentou em ficar sentado, sentindo pena de si mesmo. Ele fez alguma coisa a respeito. Assumiu o controle de si mesmo. Mas ele fez uma coisa ainda mais importante. Falou consigo mesmo. Ele se voltou para si mesmo, dizendo: "Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas dentro de mim?" Fala consigo mesmo; argumenta consigo mesmo. No entanto, alguém indaga: "Mas não é exata­mente isso que devemos evitar, já que gastar tempo demais con­sigo mesmo é uma das causas do problema? Isso contradiz suas declarações anteriores! Fomos advertidos contra introspecção e morbidez, e agora nos diz que devemos falar conosco mesmos!"

Como podemos harmonizar as duas coisas? Desta maneira: eu estou dizendo que devemos falar com o nosso "eu" em vez de permitir que o nosso "eu" fale conosco! Entendem o que isso significa? Estou dizendo que o maior problema em toda essa questão de depressão espiritual, num sentido, é que permitimos que o nosso "eu " fale conosco, em vez de nós falarmos com o nosso "eu". Estou tentando ser deliberadamente paradoxal? De modo algum. Isso é a essência da sabedoria nesta questão. Já perceberam que uma grande parte da infelicidade e perturbação em suas vidas provém do fato, que estão escutando a si mesmos em vez de falar consigo mesmos? Por exemplo, considerem os pensamentos que lhes vêm à mente quando acordam de manhã. Vocês não os originaram mas esses pensamentos começam a "falar" com vocês, trazendo de volta os problemas de ontem, etc. Alguém está falando. Quem está lhes falando? O seu "eu" está falando com vocês. Ora, o que o salmista fez foi o seguinte: em vez de permitir que esse "eu" falasse com ele, ele começou a falar con­sigo mesmo. "Por que estás abatida, ó minha alma?" ele pergunta. Sua alma estava deprimida, esmagando-o. Por isso ele se dirige a ela, dizendo: "Ouça por um momento, eu quero falar contigo". Vocês entendem o que estou falando? Se não, é porque ainda não tiveram muita experiência com estas coisas.

A arte maior na questão da vida espiritual é saber como dominar-se. Um homem precisa ter controle sobre si mesmo, deve falar consigo mesmo, exortar e examinar a si mesmo. Deve pergun­tar à sua alma: "Por que estás abatida?" "Como pode se abater assim?" Você como ele, precisa se voltar para si mesmo — re­preendendo, censurando, condenando, exortando — e dizendo a si mesmo: "Espera em Deus", em vez de resmungar e murmurar dessa maneira infeliz e deprimida. E então deve prosseguir, lem­brando-se de Deus: quem Ele é, o que Ele é, o que Ele tem feito, e o que tem prometido fazer. Tendo feito isso, termine com esta nota de triunfo: desafie a si mesmo, desafie os outros, desafie o diabo e o mundo todo, dizendo com este homem, "Eu ainda o louvarei. Ele é a salvação da minha face, e o meu Deus".

Essa é a essência do tratamento, em resumo. Os demais capí­tulos serão apenas uma exposição mais elaborada do que foi apre­sentado aqui. A essência desta questão é entender que este nosso "eu" interior — esta outra pessoa dentro de nós — precisa ser controlado. Não lhe dê atenção — fale com ele, condenando, cen­surando, exortando, encorajando, relembrando-o daquilo que você sabe — em vez de ouvir placidamente o que ele tem a dizer, permitindo que ele o leve ao desânimo e à depressão. Certamente é isto que ele sempre fará, se você lhe entregar o controle. O diabo tenta controlar o nosso "eu" interior, usando-o para nos deprimir. Precisamos nos erguer, dizendo como este homem: "Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas dentro de mim?" Pare com isso! "Espera em Deus, pois o louvarei. Ele é a salvação da minha face, e o meu Deus".


D. M. Lloyd-Jones

Não Mesmo

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No livro de Apocalipse as sete igrejas são representadas por meio de sete candeeiros de ouro (Ap. 1:20). Um candeeiro, por sua vez, não é um objeto com um fim em si mesmo. O propósito de um candeeiro é sustentar a luz de modo que todos possam vê-la. Da mesma forma, a Igreja não existe para si própria, ela não é um fim em si mesma, mas é um meio para que um objetivo seja alcançado. O objetivo da Igreja é sustentar o testemunho de Jesus de modo que todos possam vê-lo, de modo que todos possam ver a luz. E se a Igreja falhar em expressar, manifestar a luz do testemunho de Jesus, então ela terá falhado em sua missão. A Igreja não tem como objetivo final atrair as pessoas para si mesma, a Igreja tem como objetivo conduzir as pessoas a Cristo. Stephen Kaung, no livro “Vendo Cristo no Novo Testamento”, vol. 6, ALC Postado por IGREJA REUNIDA EM SANTO ESTÊVÃO - BA

Diversas dúvidas sobre Deus

1) Como posso saber que há um Deus? ( João 1.14, 18; 14.9-14; 20.29-31; Romanos 1.20; Isaías 43.9-10) 2) Como posso saber que a Bíblia é verdadeira? (João 5.39-40; 7.17; Atos 17.11-12). 3) Como posso compreender a Bíblia? (1 Coríntios 2.9-14; João 16.13; Lucas 11.13.) 4) Se o homem faz o melhor que pode, isto não basta para Deus? (João 3.5-6, 36; Romanos 3.19-20; Gálatas; 3.10) 5) Se um homem honestamente pensa que está no caminho certo, será condenado? (Provérbios 14.12; Romanos 3.3-4; Atos 17.30) 6) Não é possível ser Cristão sem crer que Jesus é o Filho de Deus? (1 João 5.9-13, 20; João 20.28-31; Mateus 16.13-18.) 7) Por que era necessário Cristo morrer para salvar o homem? (Romanos 8.3; Gálatas-3.10; Romanos 5.12, 19). 8) Qual é a primeira coisa a fazer para se tornar Cristão? (Mateus 11.28; João 6.29, 37; Atos 16.31). 9) Que mais? (Mateus 10.32; Romanos 10.9-10; Hebreus 13.15-16). 10) Preciso reconhecer que sou pecador antes de vir a Cristo? Como posso fazer isto? (Romanos 7.13; João 16.8-9; Atos 2.36-37) 11) Preciso me arrepender? 0 que é arrependimento? Como posso me arrepender? (Lucas 24.46-47; Atos 5.30-31; 20.21; Lucas; 15.17-18.) 12) Como posso vir a Cristo? (Isaías 55.7; 1 João 1.1-3; Romanos 10.8-17; Marcos 10.49-50.) 13) 0 que significa "Aceitar a Cristo"? (João 1. 11- 12; Romanos 6.23; João 4. 10; Efésios 2.8.) 14) Como posso ter fé? (Efésios 1.12-13; Lucas 16.29-31; João 5.39, 46-47; João 4.50) 15) Como posso saber que os meus pecados são perdoados? (Marcos 2.5; Lucas 7.48-50; Atos 13.38-39; 1 João 1.9) 16) Como posso saber que amo a Deus? (I João 4.10,19; Romanos 5.5-8; Efésios 2.4-8) 17) Por que o Senhor não se apresenta a mim e fala comigo, como falou com Paulo? ( I Timóteo 1.16; João 17.20; 20.29; 1 Pedro 1.8; João 14.16-18). 18) Como posso saber que o Espírito de Deus veio a mim? (João 16.8; 1 Coríntios 12.3; Gálatas 5.2, 23; 1 João 3.14). 19) Por que membros da Igreja erram? (Filipenses 3.18-19; 1 Timóteo 4.1-2; 11 Timóteo 3.1-5; Gálatas 5.17, 6:1.) 20) Por que há diferentes denominações? (1 Coríntios 3.1-5; 1 Coríntios 12.12-14; 1 Coríntios 11 - 19; 11 Pedro 2.1-2; Efésios 1.17-23). 21) Preciso fazer profissão de fé para ser Cristão? (Mateus 28.18-20; Atos 2.38-42, 47; Hebreus 10.25.) 22) Como posso vencer o mundo? (Colossenses 3.1-6; 1 João 5.3-4; Gálatas 1.4). 23) Por que os Cristãos sofrem tanto no mundo? (I Coríntios 11.32; Salmos 94.12-13; Hebreus 12.6-11; 1 Pedro 4.12-19.) 24) Como posso ser liberto do poder dos pecados que tenho praticado? (Romanos 13.14; Efésios 6.10-18; 1 Pedro 5.6-10). 25) Se pecar, após me tornar Cristão, Deus me perdoará? (Romanos 3.28-30; Hebreus 10.28-29; Atos 8.18-23; 1 João 13-10). 26) 0 que é pecado contra o Espírito Santo? (Marcos 3.28-30; Hebreus 10.28-29; Atos 8.18-23.) 27) Qual é a relação entre o Cristão e este mundo? (I João 2.15-17; João 17.14-19; 1 Pedro 4.2-5). 28) Tenho que perdoar os meus inimigos, ao me tornar cristão? (Mateus 5.23-24; 6.12-15; Efésios 4.31-32). 29) Como posso saber que sou escolhido por Deus? (João 3.16; 6.37; 10.9; Apocalipse 22.17). 30) Tenho de fazer restituição? (Marcos 12.31; Romanos 12.17; Lucas 19.8). 31) Não devo esperar até que compreenda melhor a Bíblia, antes de me tornar Cristão? (Atos 8.12, 35-37; 16.30-33; 1 Coríntios 2.1-5). 32) Não devo ser pessoa melhor antes de me tornar Cristão? (Mateus 9.12-13; 17.15-18; Romanos 7.23-25.) 33) Quando eu oro, a oração não parece real para mim. Como posso resolver isso? (Lucas 11.14; João 1.18; 17.6, 25-26.) 34) Você tem certeza que tão grande pecador como eu pode ser salvo? (Isaías 55.6-9; 43.24-26; 1 Timóteo 1.15-16.) 35) Deveria começar confessando que quero ser Cristão, enquanto não sinto Deus falando comigo? (Mateus 12.10-13; Ezequiel 36.26-27; Efésios 2.4-6). 36) Qual é o maior pecado? (1 João 5.10; João 5.38; Números 23.19.) 37) Se eu me tornar Cristão, o que devo procurar mais ardentemente? (João 14.16-18; João 20.22; Atos 1.8; Efésios 5.17-21.) 38) Como posso ter certeza de que vencerei? (Isaías 41.10; 1 Coríntios 10.13; II Coríntios 9.8; 12.9; João 10.27-29). 39) Qual vai ser a minha maior dificuldade na vida Cristã? (Filipenses 2.3-5; Romanos 12.3, 16; João 13.12-17). 40) Não sinto muito desejo de me tornar Cristão agora. Não posso esperar até alguma outra oportunidade? (Coríntios 6.2; Hebreus 3.7-8; 4.7; Tiago 4.13-17.)

O Evangelho de Deus

Rede Record apoia o Aborto

http://www.youtube.com/watch?v=pSWMLtTzbnA É vergonhoso para qualquer cristão ver uma emissora de tv, controlada por evangélicos, fazer defesa de ato tão cruel e vil. Percebe-se que, de fato, a deficiência teológica influencia a ética e a moral. Se os líderes desta emissora/igreja atentassem para o que diz a Palavra perceberiam os graves erros que cometem e incitam outros a cometer. Alisto-os abaixo: 1. Em primeiro lugar, o corpo que usamos não é nosso, como afirma a atriz do vídeo. Paulo, escrevendo aos Corintios, disse: "Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?" (1Co 6.19) e, na seqüência, "Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo." (1Co 6.20). Somos apenas mordomos. Vamos prestar contas do que fizemos com o corpo. 2. A imagem de Deus está impressa em cada ser humano, por isso, ninguém tem o direito de tirar a própria vida ou a de outrem. A Bíblia diz: "Se alguém derramar o sangue do homem, pelo homem se derramará o seu; porque Deus fez o homem segundo a sua imagem." (Gn 9.6). A razão da proibição do homicídio e, por implicação, do suicídio, está no fato de que 'Deus fez o homem segundo a sua imagem', isto é, ao assassinar alguém, ou a si próprio, estamos eliminando algo que não é nosso, mas de Deus. 3. Uma mulher pode até reclamar o direito de retirar um rim, ou um apêndice, mas não tem o direito de assassinar uma vida que está em formação dentro de si. A mulher pode dizer, equivocadamente, que tem direito sobre o seu corpo, mas o feto é outro corpo, é outra vida. O art. 2º do Código Civil Brasileiro reconhece que a vida começa na concepção: "Art. 2º A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro." Portanto, o aborto é, além de crime, um pecado gravíssimo aos olhos de Deus. Ninguém tem o direito de assassinar violentamente um ser que não tem qualquer condição de defesa. Deus punirá severamente os que praticam esta classe de assassinato. Quanto à emissora/igreja, não é de hoje a posição abortista de seu líder Edir Macedo. Em outubro de 2007 nós reproduzimos um artigo de Solano Portela sobre o assunto. Para lê-lo, clique aqui. Termino com as palavras de Isaías, em uma época em que o povo estava andando bem longe dos caminhos de Deus: "Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem da escuridade luz e da luz, escuridade; põem o amargo por doce e o doce, por amargo! Ai dos que são sábios a seus próprios olhos e prudentes em seu próprio conceito!" (Is 5.20,21). Falando em luz e trevas, a cor predominante do vídeo, um laranja que lembra fogo e a pouca iluminação, levou minha mente a, automaticamente, pensar no local para onde vão os assassinos. Postado por Rev. Ageu Magalhães

Deus não existe

Um homem caiu em um buraco

http://www.youtube.com/watch?v=RY-g-sH7q2g

Evangelizar

Exploração Não

Exploração Não

Você reclama de sua vida!

http://www.youtube.com/watch?v=v7S06iN5P34

Livro - A Cruz e o Punhal

A Cruz e o Punhal

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Charles Haddon Spurgeon - Sermoes Devocionais

Sinopse

Muita ação e suspense em um filme clássico que continua tocando os corações. A Cruz e o Punhal é a história verídica de David Wilkerson entrando no mundo desesperado de Nick Cruz e das gangues de Nova York. Os Mau Mau e os Bishops são gangues que lutam com correntes, facas e pistolas para proteger seu território de vício e violência. Será que essas gangues que controlam a cidade ouvirão este pregador de fora que invade seus territórios e suas vidas para falar do amor e da paz de Deus?

Bozo

http://www.youtube.com/watch?v=yP6B-MZrMSo

Compromisso Precioso e muito mais...

O compromisso de uma fé desafiada pelo impossível e testada pelo irresistível, afeta toda a família. A história comovente do amor entre John e Ellen Brighton. Unidos eles enfrentam uma terrível e impiedosa doença, o Mal de Alzheimer, que, ou confirmará seu amor, ou destruirá seu casamento e sua família. Problemas na carreira profissional, nos relacionamentos familiares, uma confusão que só o poder de um amor real pode superar. Phil Brighton, o irmão e sócio de John, vive livre demais para entender porque John ainda mantém sua fé e seu casamento diante de circunstâncias tão terríveis. Mas a luta de seu irmão faz com que ele encontre uma nova esperança. http://www.youtube.com/watch?v=M9tNVXkOCxY

Evangelizacao Pessoal

http://www.evangelizacaopessoal.com

Icthusfilmens

http://www.youtube.com/watch?v=aiIpWtVQRGI http://www.youtube.com/watch?v=o3fqwpCUo30